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Clippings - 10/01/18

Estrangeiras devem acirrar último certame do Rodoanel

Pontapé inicial do calendário de concessões brasileiro, o leilão do trecho norte do Rodoanel empreendido pelo governo paulista deve servir como termômetro quanto ao interesse de investidores. CCR e Ecorodovias despontam como favoritas, mas especialistas não descartam estrangeiras tentando roubar a cena.

A abertura dos envelopes será realizada na manhã de hoje (10) durante evento na B3, a bolsa de valores paulistana. O trecho em questão (SP-021) tem extensão de 47 quilômetros (km) e a concessão durará trinta anos, quando R$ 581 milhões em melhorias devem ser aportados. A outorga mínima é de R$ 462 milhões.

“Considerando as regras estáveis, a situação econômica e a dificuldade de se encontrar bons ativos, creio que além das brasileiras já na jogada devemos ter duas ou três estrangeiras”, aposta o sócio sênior do escritório Miguel Neto Advogados, Miguel Neto. Grupos alemães, italianos, espanhóis e chineses surgem como possibilidades.

Ao DCI, Neto classificou o eventual apetite como parte de um movimento iniciado no ano passado, quando players de diversas nacionalidades adquiriram ativos federais em leilões de linhas de transmissão de energia e de poços de petróleo.

Especialista em infraestrutura do L.O. Baptista Advogados, Ricardo Medina, por sua vez, não acredita que o certame terá grandes surpresas. “Concorrer eu acho que quase todos vão, mas quem irá com sede ao pote é o player que tem na veia o DNA do Rodoanel”, aposta, sinalizando a CCR como maior interessada na disputa.

Consórcio formado pelos grupos Andrade Gutierrez, Camargo Correa e Soares Penido, a CCR já opera o trecho oeste do anel viário paulista, interligado com a área leiloada hoje. Já a SPMar – concessionária que opera os trechos Sul e Leste do Rodoanel – é considerada uma aposta de risco por enfrentar problemas financeiros.

Entretanto há possibilidade da eventual presença de estrangeiras acabar inflacionando lances entregues pelos grupos considerados favoritos, uma vez que haveria interesse em “garantir” o ativo altamente estratégico. “Elas devem participar com preços melhores por conta das sinergias”, explicou Neto.

“Seria uma grande vantagem em termos de pessoal, equipamentos e veículos. Toda a estrutura logística já está lá”, completa Medina.

No caso da Ecorodovias a sinergia seria de nível menor – ativos da empresa se conectam com os trechos Leste e Sul do Rodoanel –, mas a empresa também pode adotar uma abordagem agressiva. “Ela não tem o mesmo nível de conexão com o Rodoanel, mas o trecho norte será interessantíssimo pelo preço baixo comparado com outros ativos da mesma natureza”, vê Medina.

Questionado sobre suficiência dos quase R$ 600 milhões em aportes exigidos para os trinta anos de concessão, Miguel Neto afirmou que caso o mercado entenda que o valor é pequeno, a percepção influenciará os valores ofertados.

“Se considerarem o [investimento exigido] baixo, o ágio provavelmente será alto. O que não adianta é precificar lá em cima e não ter concorrente”. Já o advogado do L.O. Baptista acredita que “os valores poderiam ser maiores, mas estão razoáveis para o momento.”

Vale lembrar que a vencedora do certame não assumirá de imediato todo o trecho Norte, uma vez que parte das obras ainda devem ser concluídas ao longo do ano. Ao DCI, Medina minimizou os riscos de insegurança: segundo ele, a atuação de uma junta de solução de conflitos (cuja criação foi exigida pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento, que financiou o projeto) está colaborando para que as obras caminhem rapidamente.

Segundo o governo do estado de São Paulo, trecho norte do Rodoanel é “a maior obra viária do País”, com investimentos totais de R$ 8,1 bilhões. Deste montante R$ 4,3 bilhões foram aplicados em obras, enquanto outros R$ 3,8 bilhões foram consumidos com o pagamento de compensações ambientais e desapropriações. Quando completo, o trecho poderá atender 23 mil caminhões por dia.

Fonte: DCI