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Clippings - 02/02/17

Estrangeiros sim, locais também

O presidente da Petrobras, Pedro Parente, em artigo publicado nesta quarta-feira (1/2), na Folha de São Paulo, foi bastante claro. O protecionismo não faz bem a ninguém. Seria como comparar com uma criança protegida, que teria dificuldades na gestão futura de sua vida particular, não teria todas as habilidades para se defender, a dimensão de suas respostas nem sempre seriam calibradas o suficiente para um equilíbrio entre o pessoal e o coletivo.

Assim se dá na indústria que alimenta o processo produtivo de óleo e gás no Brasil. A primeira camada de fornecedores, construtores e prestadores de serviço, com contato direto com as companhias de petróleo, em muitas situações são empresas estrangeiras. Capital estrangeiro, pessoal estrangeiro, contratos internacionais. É o caso das empresas de geofísica, PGS, CGG, Spectrum, etc…, todas estrangeiras. Também das empresas de perfilagem de poços, como Schlumberger, Baker, Halliburton. Internacionais, com bases no Brasil. No subsea, todas estrangeiras, com plantas no país: TechnipFMC, Aker, GE, etc. E com isto se convive por quarenta anos, sem ninguém colocar dúvidas do “estrangeirismo”. Já na fase de desenvolvimento da produção, então começam as perguntas.

Sim, nas construções de topsides e refino temos tecnologias. Não todas, mas aprendemos com o tempo a fazer também. Copiamos, inventamos, desenvolvemos, mas não soubemos reter tão bem. A gestão nem sempre é a mais suave e contínua, os preços nem sempre menores, os prazos por vezes são grandes. A verdade é que não há escala para coisas só locais. Só se viabilizam tendo quantidade e continuidade. Os processos são complexos no Brasil. Abrir empresas, contratar e descontratar, impostos, burocracia, etc.

Então devemos aceitar as estrangeiras? Parece que não há dúvidas sobre isto. Sim.

Mas deveríamos aceitar as locais também.

Existem coisas que os estrangeiros fazem bem, como gestão simples e objetiva, prazos curtos, preços adequados, fabricações complexas. Há coisas que os locais fazem bem, como parte de fabricações, montagem, logística, operação, manutenção.

As máquinas de soldas, o torno, o guindaste que fazem projetos no Brasil são quase que 100% estrangeiras. A mão de obra é local.

Na indústria médica, até o termômetro é estrangeiro. O Ultrasom, a ressonância magnética, todos equipamentos e peças são estrangeiros. Mas a mão de obra é local.

Não há solução mágica para isto. Nem é boa a sanfona industrial, “agora tudo local, agora tudo estrangeiro”.

O Brasil precisa pensar um conjunto de politicas e regras que sejam contínuos. Aceitar bem o estrangeiro, mas ficar de olhos bons para os locais sempre.

Pesquisa objetiva contínua. Engenharia básica, parcerias tecnológicas claras, consórcios internacionais, contrapartida de mercados (trade-offs entre países), modelo mental exportação, desburocracia, etc.

Competividade Local, ao invés de Conteúdo Local, poderia ser um bom caminho.

Bons desafios, estrangeiros e locais.