
De acordo com Coordenação para assuntos da IMO no Brasil, novas metas dependerão de aprovação de medidas de médio e longo prazo que estão em discussão entre estados-membros, como impactos da adoção de combustíveis alternativos. Representação avalia que portos terão papel preponderante na preparação para novos combustíveis.
O ajudante da divisão de coordenação para os Assuntos da Organização Marítima Internacional (IMO) do Estado-Maior da Armada, CMG Flávio Haruo Mathuiy, disse, nesta segunda-feira (28), que haverá uma revisão da estratégia inicial para redução de gases de efeito estufa em 2023. Ele acredita que, para fazer frente às metas 2050 do transporte marítimo, será necessário aprovar novas medidas, no médio e longo prazo, que hoje estão em discussão entre os estados-membros que integram a IMO. Dentre essas medidas, estão as discussões envolvendo os impactos da adoção de combustíveis alternativos, como amônia, hidrogênio, metanol e modelos elétricos.
Mathuiy citou entre os desafios um estudo em que amônia e hidrogênio receberam pontuação baixa em relação às necessidades do setor por causa da baixa densidade energética. A avaliação é que, em alguns casos, serão demandados volumes maiores do que os combustíveis tradicionais. Um dos problemas é que, nos grandes percursos, esses novos combustíveis poderiam ocupar o espaço de volumes significativos de carga. Mathuiy acrescentou que quatro dos cinco combustíveis alternativos promissores apresentados no estudo são biocombustíveis que o Brasil possui grande potencial de produção.
Ele disse ainda que a estrutura instalada nos países para o abastecimento de gás natural liquefeito (GNL) atualmente teria disponibilidade de atendimento apenas da ordem de 3%, caso o mundo adotasse esse combustível como alternativa para essa indústria. Ele destacou que 80% dos gastos para pesquisa e desenvolvimento (P&D) para combustíveis alternativos deverão ser gastos para essa infraestrutura e que os portos terão papel preponderante para se preparar para novos combustíveis. “Os portos devem incentivar a promoção da navegação sustentável de baixo e de zero carbono”, projetou.
Existem debates se o uso de combustíveis alternativos demandaria a necessidade de mais navios para realizar uma mesma rota, além da criação de um instituto para P&D associado a um fundo para o caso de taxação dos combustíveis. Mathuiy destacou a importância de avaliações criteriosas do impacto das medidas a fim de evitar impactos desproporcionais aos estados-membros. Ele disse que a IMO analisa o ciclo de vida dos combustíveis e que 99% do hidrogênio produzido hoje vêm do combustível fóssil, o que torna importante a geração de energia renovável para produção desse insumo.
No Brasil, também existem preocupações devido ao fato da pauta de exportação brasileira ser basicamente de commodities representadas por grandes volumes, com baixo valor agregado e mercados consumidores distantes. Rotas de longo curso poderiam ter impacto alto em caso de adoção de taxação ao consumo de combustíveis ou de precificação do carbono. Viagens entre portos brasileiros e chineses, por exemplo, levam até 90 dias e possuem margens reduzidas por as commodities terem menor valor agregado. Além disso, 50% do preço do frete é ocasionado pelo preço dos combustíveis marítimos. “Em caso de aumento, com a taxação do combustível, o preço do minério, que é competitivo na China, possivelmente, haveria um valor mais alto, perdendo competitividade ao minério da Austrália, que está próximo da China”, exemplificou Mathuiy.
Fonte: Revista Portos e Navios