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Clippings - 13/02/17

Estudo da Câmara classifica como ilegal plano de desinvestimentos da Petrobras

Um estudo preparado pela Consultoria Legislativa da Câmara dos Deputados afirma que os desinvestimentos da Petrobras, da forma como vem sendo conduzidos, são ilegais e potencialmente prejudiciais ao Brasil, representando o predomínio da visão financeira de curto prazo sobre a visão de construção de um país soberano e tecnologicamente avançado.

Classificando os desinvestimentos como “processos clássicos de desestatização”, os consultores Paulo César Ribeiro Lima e Pedro Garrido da Costa Lima argumentam que a venda da maior parte do capital com direito a voto da NTS, por exemplo, desrespeita a Lei nº 9.491/1997, que veda a desestatização das empresas públicas e das sociedades de economia mista que exerçam atividades de competência exclusiva da União.

Ao optar por desinvestimentos no downstream, como no caso da BR Distribuidora – cujo processo de venda, assim como o da NTS, está suspenso liminarmente pela Justiça –, a Petrobras estaria abrindo mão de ativos rentáveis e estratégicos para a Petrobras e para o Estado.

Os autores do estudo destacam que, em vez de gerar recursos de US$ 19 bilhões com a venda de ativos, a Petrobras poderia focar na redução das amortizações e despesas financeiras que totalizam o mais de US$ 100 bilhões.

O trabalho faz duras críticas ao atual plano de negócios da Petrobras (PGN 2017-21), que sinalizaria para a criação de uma empresa de E&P com foco no pré-sal e para a privatização ou venda de participação em outras áreas.

“Essa ‘Petrobras do Pré-Sal’ pode vir a ser privatizada, até por um alto valor para os acionistas, um uma vez que a empresa já garantiu os direitos relativos às principais áreas do Pré-Sal e que os sistemas de produção já estarão instalados”, assinalam os consultores.

A estratégia estaria distanciando a Petrobras, enquanto empresa de economia mista, de seu objeto social – que integra diversas atividades produtivas – ao reduzir a participação da companhia em áreas como a distribuição e o refino, apesar do “relevante interesse coletivo nesses ramos, com efeitos sobre a atividade da empresa e sobre a economia”.

Os autores assinalam que a malha da NTS é importante para a companhia manter um papel estratégico na área de transporte de gás natural e que a venda da subsidiária representa o risco de sair de um monopólio estatal para um monopólio privado no transporte de gás natural no Sudeste. Já a perda do controle acionário da BR Distribuidora não é, segundo eles, compatível com a verticalização da Petrobras, que sempre adotou o lema “Do poço ao posto”

No caso de Carcará e outros desinvestimentos, Paulo César e Pedro Garrido explicam que a Petrobras não estaria cumprindo a Lei das Licitações (nº 8.666), ao adotar a modalidade convite. “Além disso, em razão do maior custo de produção da Statoil em Carcará, sua venda deverá reduzir as receitas destinadas às áreas de educação pública e saúde”, argumentam.

A Petrobras projeta vendas de ativos de US$ 19,5 bilhões em 2017 e 2018. Para os anos de 2015 e 2016, as vendas previstas foram de US$ 15,1 bilhões.