
Os oito projetos indicativos de gasodutos de escoamento estudados pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) no Plano Indicativo de Processamento e Escoamento de Gás Natural (PIPE) 2023 representam investimentos de R$ 24 bilhões, com impacto no PIB de R$ 14 bilhões e geração de 67 mil empregos, afirmou Henrique Rangel, analista de pesquisa energética da EPE, durante apresentação feita nesta quarta-feira (28).
O PIPE apresenta novos projetos de gasodutos de escoamento e UPGNs que podem vir a ser implementados nos próximos anos no país, de forma indicativa. O plano, que segue os objetivos do Programa Gás para Empregar, visa contribuir para o aumento da oferta de gás natural da União no mercado doméstico e para melhorar o aproveitamento e o retorno social e econômico da produção nacional de gás natural.

A edição 2023 estudou a conexão entre os seguintes pontos:
- Bacalhau-RPBC (do campo a uma nova UPGN próxima a RPBC);
- Bacalhau-Merluza (do campo ao gasoduto Merluza-Cubatão);
- Bacalhau-Mexilhão (do campo ao gasoduto de Mexilhão-UTGCA);
- Gato do Mato-Mexilhão (do Sistema Integrado de Gato do Mato ao gasoduto Mexilhão-UTGCA), sendo esses quatro projetos na Bacia de Santos;
- Raia-Tecab na Bacia de Campos (dos campos de Raia Manta e Raia Pintada ao Terminal de Cabiúnas);
- Tucano Sul-Quererá na Bacia de Tucano Sul (de Tucano Grande e Tucano Grande Sul a uma nova UPGN em Quererá);
- Sergipe Águas Profundas-TAG na Bacia de Sergipe-Alagoas (das áreas de SEAP-1 e SEAP-2 ao ponto de conexão com a malha da TAG) e
- Foz do Amazonas-Calçoene na Bacia da Foz do Amazonas (do bloco FZA-M-59 a uma nova UPGN em Calçoene/AP).

A escolha por esses oito projetos decorreu dos potenciais de produção das bacias analisadas, bem como do crescimento do interesse na exploração e produção de algumas destas áreas, segundo a EPE. Essa também foi a primeira edição do PIPE que contemplou estimativas de emprego e renda decorrentes dos investimentos.
Os oito projetos totalizam mais de 1,5 mil km de gasodutos e 78 milhões de m³/dia de capacidade de escoamento. Dos oito projetos, seis se encontram conectados a UPGNs (cerca de 80 milhões de m³/dia), enquanto dois consideram o processamento offshore do gás, diretamente nas plataformas de produção.
“Outras alternativas podem surgir em função dos modelos de negócio dos empreendedores como conexão ao Sistema Integrado de Escoamento (SIE) para as alternativas do pré-sal, ou modelos baseados em entrega de gás diretamente para a distribuidora após processamento (no projeto onshore), por exemplo”, afirma a EPE no PIPE 2023. O estudo, elaborado ao longo de 2023, será publicado na íntegra em março, no site da empresa.
Além do PIPE 2023, a EPE realizou dois estudos deste tipo: o PIPE 2019, que analisou 11 novas rotas de escoamento (que representam cerca de 70 milhões de m³/dia), e o PIPE 2021, que estudou 15 novas rotas de escoamento (que representam cerca de 100 milhões de m³/dia). Ao todo, as 34 novas rotas de escoamento (contando com o PIPE 2023) totalizam cerca de 248 milhões de m³/dia.

Fonte: Revista Portos e Navios