A expansão da produção de combustível sustentável de aviação (SAF) no Brasil ganhou novos avanços nesta quarta-feira (17), com dois anúncios envolvendo diferentes elos da cadeia produtiva.
A Honeywell fornecerá tecnologias de processo e automação para a futura unidade da Acelen Renováveis, na Bahia, voltada à produção de SAF e diesel renovável. Paralelamente, Bunge, Petrobras e Vibra anunciaram a disponibilização comercial do primeiro SAF produzido a partir de soja brasileira certificada sob o padrão internacional ISCC Corsia PLUS Low-LUC Risk.
Os projetos ocorrem em um momento de crescimento esperado da demanda global por combustíveis sustentáveis para a aviação. Segundo a Honeywell, o consumo mundial de SAF poderá atingir quase 500.000 barris por dia na próxima década.
Produção de SAF na Bahia
A futura unidade greenfield da Acelen Renováveis, localizada na Bahia, utilizará a tecnologia modular de processo Ecofining, desenvolvida pela Honeywell UOP em parceria com a italiana Eni.
Além do processo de produção, a empresa fornecerá bombas, compressores e sistemas integrados de controle e segurança para a instalação.
De acordo com a Honeywell, o modelo modular de implantação permite reduzir prazos de construção e custos de projeto em comparação aos métodos convencionais, acelerando o início da produção de combustíveis renováveis.
Conversão de resíduos
O processo Honeywell UOP Ecofining foi desenvolvido para converter gorduras, óleos e graxas residuais em diesel renovável e combustível sustentável de aviação.
Segundo a empresa, o SAF produzido por essa rota tecnológica pode proporcionar redução de até 80% das emissões de gases de efeito estufa quando utilizado em mistura com o combustível convencional de aviação.
A Honeywell disse ainda que já forneceu mais de 1.500 unidades modulares de processo em diferentes mercados ao redor do mundo. O sistema de automação da futura planta será integrado à plataforma Experion PKS, voltada ao monitoramento operacional e à digitalização de processos industriais.
Primeiro SAF de soja certificada
Em anúncio paralelo, Bunge, Petrobras e Vibra informaram o lançamento do primeiro SAF produzido a partir de soja brasileira certificada sob o padrão ISCC Corsia PLUS Low-LUC Risk, certificação reconhecida pela Organização da Aviação Civil Internacional (ICAO).
A iniciativa reúne diferentes etapas da cadeia produtiva. A Bunge realiza a originação da soja, sua certificação e a produção do óleo vegetal em Rondonópolis/MT. A Petrobras produz o SAF na refinaria de Duque de Caxias/RJ, por meio do coprocessamento do óleo vegetal com carga mineral. Já a Vibra, por intermédio da BR Aviation, será responsável pela distribuição e comercialização do produto.
O projeto prevê a produção e comercialização de 4.000 metros cúbicos de combustível de aviação contendo 1% de conteúdo renovável.
Segundo as empresas, o volume é suficiente para abastecer aproximadamente 1.600 voos na ponte aérea Rio – São Paulo. A oferta inicial ocorrerá no aeroporto do Galeão, onde a infraestrutura de armazenamento possui certificações ISCC EU e ISCC Corsia.
Certificação
A certificação ISCC Corsia PLUS estabelece critérios de sustentabilidade para combustíveis renováveis destinados à aviação internacional.
Entre os requisitos estão a comprovação de rastreabilidade da cadeia produtiva, auditorias independentes e demonstração de que as áreas agrícolas utilizadas não resultaram de conversão recente de vegetação nativa.
O reconhecimento Low-LUC Risk (baixo risco de mudança do uso da terra) certifica que o aumento da produção ocorreu por ganhos de produtividade agrícola, sem necessidade de expansão sobre novas áreas.
De acordo com as empresas, a análise do ciclo de vida do produto indica potencial de redução de aproximadamente 70% das emissões de gases de efeito estufa em comparação ao querosene de aviação convencional.
Fonte: Aero Magazine.