
O mercado aguarda com muita expectativa a abertura das propostas da licitação da Petrobras para contratação da P-80, unidade que irá compor o 9º módulo de Búzios, e que, de quebra, poderá garantir ainda a aquisição da P-82 e P-83. Rumores indicam que os estaleiros Sembcorp e Keppel devem apresentar, de forma isolada, preços para duas unidades.
A entrega das propostas está marcada para segunda-feira (30). Apesar dos rumores, prevalece a dúvida se os dois grupo manterão a aposta ou irão optar por oferecer preço para apenas para uma unidade.
A estratégia comercial das empresas e o resultado final da licitação irão sinalizar os rumos do mercado de grandes FPSOs. O mercado enxerga com desconfiança a possibilidade de o bid ter muitas propostas, mantendo, por outro lado, a certeza de preços altos.
A questão do preço pode ser o grande impeditivo ao plano da Petrobras de contratar todas as unidades planejadas para Búzios. Por mais que a petroleira tenha feito várias reuniões com as empresas convidadas, é dado como certo que os impactos e os riscos da guerra sobre o mercado fornecedor serão incorporados ao valor das propostas, a exemplo da licitação para contratação da P-81.
A Petrobras sinaliza interesse pela contratação das três unidades. Os contratos de construção dos FPSOs serão conduzidos sob regime de EPC (Engineering, Procurement and Construction).
Empresas de FPSOs e estaleiros acreditam que o resultado da licitação pode reforçar ou mudar os planos da Petrobras no que diz respeito à estratégia comercial relacionada aos regimes de afretamento, EPC e BOT (Build Operate Transfer)
A participação da Sembcorp e da Keppel na licitação da Petrobras ocorrerá no momento em que os dois grupos, ambos controlados pela empresa de investimentos Temasek, com sede em Singapura, acertam uma mega operação de fusão. O negócio vinha sendo discutido desde junho do ano passado, sendo que em abril foi assinado acordo, sujeito ainda à aprovação de acionistas e órgãos reguladores locais.
Apesar do negócio ter avançado, as duas empresas seguem trabalhando isoladamente na licitação, atuando ainda como grupos distintos.
Os FPSOs requeridos pela Petrobras para o projeto de Búzios na licitação terão capacidade para produzir 225 mil bpd de óleo e 12 milhões de m³/dia de gás. A P-80 e a P-82 estão previstas para entrar em operação em 2026, enquanto a P-83 tem primeiro óleo projetado, inicialmente, para 2027.
O bid foi dividido pela Petrobras em dois lotes distintos. No lote A, a comissão de licitação requer proposta firme para a P-80, enquanto no B é indicada a possibilidade de contratação de pelo menos um outro FPSO.
De acordo com o edital, o proponente terá que indicar na proposta do lote A se tem ou não interesse em um outro FPSO. Pelas regras do processo, nesse caso, a outra unidade será contratada pelo preço de 92,6% do valor da oferta apresentada para a P-80.
Fonte: Revista Brasil Energia