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Estudo lançado, nesta quarta-feira (6), voltou a apontar a fonte como candidata à expansão. Perspectiva de queda de custos de equipamentos teve como referência tendência em projetos internacionais.
A expertise do setor de exploração e produção de petróleo na instalação de estruturas, logística e operações no ambiente marinho poderá beneficiar o desenvolvimento da eólica offshore. A avaliação consta no Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE) 2031, lançado nesta quarta-feira (6), que destaca que a infraestrutura, a tecnologia e o conhecimento do setor petrolífero podem ser aproveitados para outros tipos de produção de energia, minimizando os impactos socioambientais associados à implantação de novas instalações. O estudo também cita a infraestrutura de escoamento e transporte de gás natural existente pode ser utilizada para outros produtos como o biometano e o hidrogênio produzidos a partir desse insumo.
Baseado em dados da EPE (2021), o PDE 2031 considerou faixas de investimentos (Capex) para projetos de eólicas offshore variando de R$ 9.800 a R$ 18.600 por quilowatt [R$/kW], ante R$ 3.200/kW a R$ 5.500/kW para eólicas em parques terrestres (onshore). O modelo adotado na atual edição do plano verificou redução nos custos, principalmente relacionados ao Capex, dos projetos em instalação ao redor do mundo, o que refletiu em valor adotado para o PDE 2031 menor do que o estudo anterior.
Foram verificados quatro níveis de custos de implantação, com o objetivo de melhorar a representação das faixas de valores observadas em projetos típicos dessas fontes. Os custos de cada um dos níveis foram estimados a partir de percentuais calculados das amostras de dados de projetos de geração eólica e de usinas solares fotovoltaicas, principalmente os de participantes e vencedores dos leilões mais recentes.
A tecnologia eólica offshore, assim como no PDE 2030, foi apontada como candidata à expansão, tendo os custos e premissas referentes aos aerogeradores atualizados com base nos dados disponíveis sobre a implantação desses projetos em outros países, considerando as incertezas relacionadas a internalização desses custos em projetos que venham a ser implantados no Brasil.
O PDE 2031 usou como referência o relatório “Caderno de Preços da Geração”, publicado em agosto de 2021 pela EPE, que contém estimativas e análises dos valores de investimentos (Capex), dos custos de operação e manutenção (O&M), e do custo variável unitário (CVU), baseadas em dados nacionais e internacionais, para cada tipo de fonte de geração de energia. Os custos da geração eólica no mar apresentados no estudo de planejamento foram estimados levando em consideração referências de projetos internacionais, visto que no Brasil ainda não foram implementados projetos em larga escala com esse tipo de tecnologia.
O PDE 2031 destacou que o novo planejamento conta com mais opções de fontes renováveis para a expansão da oferta e que a transição energética poderá ser potencializada com a ampliação da infraestrutura para transmissão de energia, de forma a viabilizar a integração dos potenciais de geração renovável nas mais diversas regiões do país. Além das eólicas offshore, a cesta de oferta de novas tecnologias de geração inclui fotovoltaica flutuante, biogás e hidrelétricas reversíveis, além das demais renováveis já consolidadas no mercado.
O estudo pontua ainda que recursos renováveis offshore se destacam com um enorme potencial técnico de produção de hidrogênio. O recurso com a maior participação é o solar fotovoltaico com 79% do potencial, seguido do eólico, além dos 100 km até o limite da Zona Econômica Exclusiva (ZEE), que é de 15%. O restante do recurso eólico, até 100 km da costa, tem um potencial de 101,2 Mt H2/ano e do oceânico, com 8,8 Mt H2/ano. No estudo “Roadmap Eólica Offshore Brasil”, publicado em 2020, a EPE mapeou o recurso para torres de 100 metros de altura e a uma batimetria (profundidade do mar) de até 50 metros. O total de recurso eólico offshore nesta condição foi de 218 Mtep que, convertidos a hidrogênio, equivalem a 56,4 Mt.
O PDE 2031 estima a necessidade de investimentos de R$ 3,2 trilhões até 2031, com a recuperação da economia e manutenção de elevado nível de fontes renováveis nas matrizes energética e elétrica nos próximos anos. O plano, elaborado pelo MME com apoio da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), indica as perspectivas da expansão do setor de energia no horizonte de dez anos (2022 – 2031), dentro de uma visão integrada para os diversos segmentos energéticos.
Fonte: Revista Portos e Navios