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Clippings - 26/01/24

Exportação de petróleo estoura em 2023

Navio petroleiro João Cândido, da Transpetro (Foto: Eudes Santana/Transpetro)

O Brasil atingiu o pico de exportação de petróleo em 23 anos, de acordo com a série histórica da ANP, que inicia no ano 2000. Como o país nunca produziu tanto óleo, enquanto a capacidade de processamento do insumo no parque de refino nacional se manteve estável, é provável que as vendas externas tenham sido recordes no ano passado.

A importação de petróleo também cresceu, em comparação com o acumulado de 2022, mas desacelerou ao longo dos meses, à medida que crescia a utilização da capacidade das refinarias da Petrobras.

A visão de especialistas é que o avanço contínuo da produção no pré-sal e o perfil do parque de refino brasileiro explicam a fotografia da balança comercial de petróleo do ano passado, primeiro do governo Lula e também de Jean Paul Prates à frente da Petrobras.

Ainda pesou o fato de as petrolíferas estrangeiras enviarem suas parcelas de óleo para serem processadas em seus parques de refino no exterior.

A projeção para os próximos anos é de um crescimento ainda mais acelerado das exportações, frente à estratégia da estatal de investir pesado na extração de óleo. No entanto, a partir do início da década de 2030, a tendência é de queda das reservas e exportações, dependendo da descoberta de novas fronteiras.

Quanto aos ganhos do país com a inserção no comércio internacional, é possível esperar, para este ano, que se mantenham na linha dos de 2023. O volume enviado para fora continuará crescendo, mas deve ser compensado pela manutenção do preço do petróleo.

Em 2023, até novembro (último mês do ano divulgado pela ANP), foram exportados 538 milhões de barris de petróleo, uma alta de 25% em relação ao ano anterior. Desde 2008, quando foi extraído o primeiro óleo do pré-sal, a venda do óleo brasileiro no exterior cresceu 240%.

“A produção de petróleo brasileira está próxima de 3 milhões de barris por dia (bpd), enquanto a capacidade de refino é de 2,4 milhões de bpd. Isso acaba criando um excedente exportável, que vem crescendo à medida que a Petrobras investe na extração de petróleo”, afirmou Bruno Cordeiro Santos, analista de Inteligência de Mercado da consultoria StoneX.

Ele ressalta que a capacidade do refino deve crescer, mas de maneira sustentável, com foco na destilação de óleo diesel S-10 e na utilização de matéria-prima renovável, ou seja, rumo à modernização. O avanço do parque será menos acelerado do que o da produção, o que aponta para a continuidade do crescimento do excedente de óleo exportável, nos próximos anos.

A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) projeta uma oferta de petróleo de 3,3 milhões de bpd de petróleo em 2023, incluídos condensados (os números oficiais do ano passado ainda não foram divulgados). Para 2024, a expectativa é de expansão para 3,8 milhões bpd. Em contrapartida, a expectativa é de um crescimento estável do parque de refino.

Já a cotação do barril deve se manter num patamar elevado, neste ano, segundo o especialista da StoneX. “A gente acompanhou uma queda dos preços no ano passado, porque 2022 foi marcado pela explosão da cotação com a guerra no Leste Europeu. Em seguida, ela caiu, em 2023, e, em 2024, a gente deve ver preços similares aos do ano passado”, disse Santos.

O Brasil obteve receita de US$ 39 bilhões com a exportação do insumo, de janeiro a novembro de 2023, avanço de 2,1% no acumulado do ano, frente a igual período de 2022, segundo a ANP. Em janeiro, a alta foi de 45%, mas caiu para -29% logo no mês seguinte e foi intercalando entre altas e quedas ao longo dos meses.

O saldo da balança comercial foi positivo em US$ 30 bilhões, diante do dispêndio de US$ 9 bilhões para importar petróleo. A cotação média do barril ficou em US$ 85, 15% menos do que no ano anterior.

Nos 11 meses de 2023, o Brasil importou 101 milhões de barris de petróleo. Apesar do volume ser 16% superior ao de igual período do ano anterior, houve uma desaceleração na curva ao longo do ano. A variação iniciou em 73% em janeiro e chegou a 15,8% em novembro, comparado ao ano anterior.

Para Luciano Losekann, professor da Faculdade de Economia da Universidade Federal Fluminense (UFF), o crescimento do fator de utilização das refinarias da Petrobras ajuda a explicar o crescimento da importação, já que uma parcela das unidades produtoras de combustíveis ainda depende do óleo pesado de outros países.

A empresa alcançou um fator de utilização do seu parque de 97,3%, em agosto do ano passado. No mês, a importação de petróleo cresceu 35,6%, frente aos oito meses do ano anterior.

Fonte: Revista Brasil Energia