O aumento da exportação de petróleo pela Petrobras foi responsável pelo recuo forte em 2014 do déficit que o Brasil registra ano a ano na balança de petróleo e derivados. O saldo negativo, no entanto, permaneceu em patamares elevados e em 2015 é esperada ou uma nova redução, ainda que mais tímida, ou uma estabilidade no rombo da conta do setor, pois mesmo com a previsão de a estatal seguir incrementando a produção diária de barris, não há sinais no horizonte de recuperação dos preços internacionais. Ontem, o barril do tipo WTI caiu e fechou o dia cotado a US$ 50, o menor preço em cinco anos.
Em 2014, no entanto, o déficit na conta-petróleo foi de US$ 19,74 bilhões, valor 17% menor do que o observado em 2013. Sempre na comparação interanual, no ano passado o embarque de petróleo cresceu 26,2% e alcançou US$ 16,35 bilhões, ao passo que as importações do produto recuaram 4,8% e atingiram US$ 15,53 bilhões.
Apesar de uma ligeira queda de 0,8%, a importação de derivados seguiu em nível elevado e somou US$ 23,68 bilhões. O alto consumo interno de gasolina e diesel contribuiu para um recuo ainda maior nas exportações de óleos combustíveis, de 11,4%. As vendas desses produtos não passaram de US$ 3,42 bilhões.
O incremento nas exportações de petróleo, por sua vez, ocorreu a despeito da queda de 29,5% no preço do óleo cru entre dezembro do ano passado e dezembro de 2013. Em 21 de dezembro último, a Petrobras bateu recorde de exploração diária na área do pré-sal e produziu 2,28 milhões de barris, a maior marca dos últimos quatro anos. “O patamar atual de preços está muito baixo. O impacto maior no nível de exportação deve ser no primeiro semestre deste ano. Depois, a comparação por preço deve se estabilizar”, diz José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB).
Sem o efeito preço, os volumes embarcados de petróleo seguirão aumentando, dando maior margem para a redução do déficit na balança do setor neste ano. As importações também deverão cair, já que não possuem espaço para crescer. As compras acompanham consumo interno de combustíveis e crescimento da economia, duas variáveis com perspectivas de expansão tímidas para este ano.
Lia Valls, professora do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre/FGV), avalia que por enquanto não há sinais fortes de recuperação do preço do petróleo. Atualmente, diz, os grandes produtores mundiais ainda não sinalizam redução de oferta como forma de fazer com que os preços voltem a subir.
Para ela, a balança de petróleo e derivados pode contribuir mais para melhorar o saldo comercial em 2015 por conta da redução das importações. Isso deve acontecer tanto pelo aumento de produção das refinarias como pela queda da demanda doméstica. Esse movimento de redução de desembarques por conta da desaceleração interna deve ocorrer na importação como um todo, o que pode ajudar a gerar um superávit comercial no ano.
A consultoria Rosenberg & Associados, por outro lado, prevê a persistência do que qualifica de “déficit expressivo na conta do setor” e lembra que o país deve manter as usinas termelétricas funcionando em sua capacidade total ao longo de 2015, o que demanda combustível importado. Além disso, o potencial de refino de Abreu e Lima, refinaria recém-inaugurada, deve ficar em pleno funcionamento apenas no segundo semestre. Antes, não há alívio por parte da oferta para as compras do exterior de gasolina e de diesel.