As exportações brasileiras de soja em grão confirmaram as expectativas e continuaram a se recuperar em abril após um primeiro bimestre fraco, em consequência do atraso da colheita, da greve dos caminhoneiros em fevereiro e das oscilações do dólar, que colaboraram para atrasar um pouco as negociações de preços.
Segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex/Mdic), os embarques somaram 6,551 milhões de toneladas e renderam US$ 2,534 bilhões no mês passado, com aumentos de 17,1% e 14,6% em relação a março, respectivamente. Levando-se em conta que o número de dias úteis em abril foi menor que em março (20 a 22), a retomada foi ainda mais significativa. Mesmo assim, na comparação com abril de 2014 o volume apurado pela Secex caiu 20,6% e a receita, por conta dos preços atuais mais baixos, diminuiu 38,7%.
Mas, segundo a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec), boa parte das cargas que só serão computadas pela Secex neste mês de maio já saiu do país, mostrando que a recuperação foi até maior do que indicam os números da secretaria, baseados apenas em carregamentos sobre os quais todos os documentos oficiais foram entregues. Levantamento da entidade baseado nos line-ups (programações de embarques nos portos do país) indica que o volume das exportações brasileiras de soja em grão alcançou 9,2 milhões de toneladas em abril, um novo recorde mensal.
De qualquer forma, destaca Sérgio Mendes, o aumento dos volumes exportados de fato sinalizam uma “normalização” no escoamento do grão. “Esse ano começou devagar. O preço não estava bom, veio a greve dos caminhoneiros, depois as chuvas nos portos do Sul e então o dólar passou a compensar [as vendas]”, disse. “Mas esse nível [superior a 9 milhões de toneladas] mostra que somos capazes de, em uma necessidade, escoar um volume desse tamanho”. De acordo com a Anec, a China absorveu 75% das exportações brasileiras de soja em grão em abril.
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