As exportações brasileiras para a China alcançaram desempenho histórico no primeiro trimestre de 2026, totalizando US$ 23,9 bilhões. O resultado representa aumento de 21,7% em relação ao mesmo período do ano anterior e reforça a posição chinesa como principal parceiro comercial do Brasil, responsável por cerca de 29% das exportações nacionais no período. Segundo dados divulgados pelo Conselho Empresarial Brasil-China (“CEBC”), a corrente de comércio entre os dois países somou US$ 41,8 bilhões entre janeiro e março, também em nível recorde para um primeiro trimestre.
O avanço das exportações brasileiras foi fortemente influenciado pelo setor de óleo e gás. As vendas de petróleo bruto para a China atingiram US$ 7,19 bilhões no trimestre, com crescimento expressivo tanto em valor quanto em volume exportado. A commodity respondeu por aproximadamente 30% das exportações brasileiras destinadas ao mercado chinês, consolidando-se como o principal produto da pauta comercial bilateral.
O aumento da demanda chinesa por petróleo brasileiro ocorre em meio a um cenário internacional marcado pela busca de diversificação de fornecedores energéticos. A dependência histórica da China em relação a produtores localizados no Oriente Médio, somada às recentes tensões geopolíticas envolvendo importantes rotas de escoamento da commodity, contribuiu para ampliar a relevância de mercados alternativos, entre eles o Brasil. Nesse contexto, o país vem ampliando sua participação no abastecimento energético chinês, especialmente diante da expansão da produção nacional no setor offshore.
Além do petróleo, outros produtos brasileiros registraram desempenho relevante nas exportações para a China ao longo do trimestre. As vendas de carne bovina alcançaram US$ 1,8 bilhão, enquanto as exportações de ferroligas atingiram US$ 478 milhões, ambos em patamares recordes para o período. Também se destacaram os embarques de soja, minério de ferro, celulose e algodão, que permaneceram entre os principais produtos exportados ao país asiático.
O estado do Rio de Janeiro teve participação central nesse movimento comercial. De acordo com o levantamento do CEBC, o estado respondeu por 27% das exportações brasileiras para a China no primeiro trimestre de 2026, impulsionado principalmente pela indústria petrolífera. Aproximadamente 86% do petróleo brasileiro destinado ao mercado chinês teve origem em território fluminense, evidenciando a relevância estratégica do estado para o setor de óleo e gás e para a balança comercial entre os dois países.
Os números do primeiro trimestre confirmam a continuidade do fortalecimento das relações comerciais entre Brasil e China, especialmente em segmentos ligados a commodities e energia. Além disso, demonstra a ampliação da inserção do Brasil no mercado internacional de energia, em um cenário global de necessária reorganização das cadeias de suprimento e busca por maior segurança energética.