Brasília (ABr) – A corrente de comércio (soma de exportações e importações) atingiu a cifra recorde de US$ 196,768 bilhões nos 140 dias úteis deste ano, até a última sexta-feira, com aumento de 34,6% em relação às movimentações de vendas e de compras externas em igual perãodo do ano passado, de acordo com números divulgados ontem pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.
O número traz, a princípio, a ideia de retomada do comércio internacional para gerar grande superávit (saldo positivo) na balança comercial, não fosse o fato de o Brasil estar comprando bem mais do que vendendo. Os dados do MDIC mostram que nossas exportações somaram US$ 103 bilhões no ano, com evolução de 26,5% sobre igual perãodo de 2009, mas as importações, no valor de US$ 93,7 bilhões, aumentaram 44,7%.
Em decorrência, o saldo da balança comercial no acumulado do ano chega a apenas US$ 9,364 bilhões, com superávit médio diário de US$ 66,9 milhões, ao passo que a média diária do saldo comercial, no mesmo perãodo do ano passado, foi de US$ 119,4 milhões. Houve redução de 44% no saldo obtido até agora, o que eleva a perspectiva para um déficit (saldo negativo) de conta-corrente de US$ 48 bilhões com o exterior neste ano, segundo o boletim Focus do Banco Central.
Tomando-se por base a movimentação do comércio externo neste mês (17 dias úteis), o fosso entre exportações e importações continua. As vendas externas somaram US$ 13,879 bilhões, com evolução de 32,8% sobre a média diária das exportações do mês passado, e as compras brasileiras lá fora totalizaram 12,394 bilhões, com aumento de 49,3%. Em razão disso, o saldo médio diário da balança comercial neste mês está 19,4% menor do que a média do mês anterior.
Agronegócio
Três dos quatro principais produtos de exportação do agronegócio brasileiro foram importantes para o aumento da receita com vendas externas do setor de 11,2% no primeiro semestre deste ano, que passaram de US$ 31,4 bilhões para US$ 34,9 bilhões, na comparação com o mesmo perãodo de 2009. Carnes, com incremento de 18,2%, produtos florestais, com 35%, e açúcar, com 51,6%, compensaram a queda de 6% do complexo soja. Apesar disso do recuo, a oleaginosa se mantém como líder em vendas.
De acordo com os dados do Ministério da Agricultura, enquanto as vendas do complexo soja caíram de US$ 10,1 bilhões para US$ 9,5 bilhões, as de carnes (bovina, suína, de frango e de peru) aumentaram de US$ 5,4 bilhões para US$ 6,4 bilhões. As de produtos florestais subiram de US$ 3,3 bilhões para US$ 4,5 bilhões e as de açúcar, de US$ 3,1 bilhões para US$ 4,8 bilhões. As exportações do café, quinto produto no ranking de exportações do agronegócio, subiu 14,2%, passando de US$ 1,9 bilhões para US$ 2,2 bilhões.
Segundo o diretor de Promoção Internacional do Agronegócio, do Ministério da Agricultura, Eduardo Sampaio Marques, até o final do ano o crescimento das exportações do setor devem, pelo menos, se manter em 11%. Se isso ocorrer, será batido o recorde de US$ 71,8 bilhões, conquistado em 2008, depois da crise dos alimentos, que elevaram os preços das commodities agrícolas, e antes da crise financeira mundial. Em 2009, o valor exportado caiu para US$ 64,7 bilhões. Marques atribuiu a redução mais à queda dos preços no cenário internacional.