DE BRASÍLIA – As exportações brasileiras para a China devem crescer entre 8% e 12% ao ano em média até 2030, segundo cálculos do Banco Mundial.
O cenário projetado pela entidade faz parte do relatório “Implicações de uma China em transformação”, divulgado ontem, segunda-feira (14).
O documento projeta que, no cenário mais otimista, as vendas de produtos agrícolas aumentarão em média 2,9% ao ano, enquanto a de bens manufaturados subirão 12,5%. No setor de energia, as exportações crescerão 9,9% e no de serviços, 9,3%.
A diferença entre a expansão das vendas de produtos agrícolas e de manufaturados deve-se à base de comparação. Hoje, a maior parte do que o país embarca para a China é commodities, como soja e minério.
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Segundo Philip Schellekens, economista sênior do Banco Mundial para o Brasil, que liderou o estudo, o país tem muitas oportunidades a explorar no mercado chinês, mesmo com as acomodações que a economia do gigante asiático sofrerá nas próximas décadas. Segundo ele, a tendência é que a China cresça num ritmo menor, enquanto busca voltar-se para o mercado interno e aperfeiçoar o perfil de suas exportações para produtos de alta tecnologia.
O estudo mostra que hoje a China dificulta a diversificação das exportações brasileiras, impondo barreiras comerciais, que afetam a venda de mercadorias mais elaboradas feitos, como os produtos básicos processados e bens industrializados.
Os chineses aplicam “tarifas escalonadas” com o objetivo de manter baixo o nível de importações de produtos processados e impedir que empresas estrangeiras acessem oportunidades no mercado local. A política não é feita para bloquear o Brasil especificamente, mas afeta as principais exportações de alimentos brasileiros para o país, observa a entidade.
“Embora fatores domésticos que afetam a competitividade externa do Brasil possam oferecer uma explicação parcial, fatores relacionados com a China e relativos à questão de acesso parecem ser importantes também”, diz o documento.
O relatório do Banco Mundial observa, contudo, que o Brasil também adota uma política similar, que não tem impedido a China de exportar “uma quantidade significativa de produtos manufaturados para o Brasil”.
Cerca de 3.500 produtos chineses são vendidos para o mercado brasileiro, enquanto apenas cerca de 1.300 são enviados do país para a China.
“O ambiente de política comercial não é favorável à maior integração comercial entre os dois países”, diz Jorge Araújo, assessor de assuntos econômicos do Banco Mundial para o Brasil.
SOFISTICAçãO
A dificuldade de levar ao seu principal comprador produtos mais elaborados vem prejudicando o índice de sofisticação das exportações brasileiras, que leva em conta a proporção de produtos de maior valor agregado na pauta exportadora do país em relação a economias desenvolvidas. Desde 2006, o indicar brasileiro cai, segundo o documento.
A entidade nota que, considerando os produtos importados, o Brasil parece ter criado um “déficit de sofisticação” com o mundo nos últimos anos: está comprando mercadorias sofisticados em maior quantidade do que exporta. De acordo com o documento, isso sugere que “com o passar do tempo, a cesta líquida de exportações do Brasil tenha.