Apesar de o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, ter afirmado que a valorização do real pode ajudar o setor produtivo do país, empresários argumentam que o dólar alto também aumenta os custos da indústria e que, além do câmbio, os exportadores têm outros obstáculos. Ao participar da abertura do Encontro Nacional de Comércio Exterior (Enaex), o presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, disse que a taxa de câmbio melhora o cenário do comércio exterior, mas que o país deve aprimorar a infraestrutura, reduzir a burocracia asfixiante, simplificar o sistema tributário e modernizar a legislação trabalhista.
Na sua avaliação, o dólar a R$ 2,40 agrada a 60% dos exportadores; a cotação de R$ 2,50, a 80%; e a de R$ 2,60, a 100% deles.
Embora comemore o efeito positivo do atual patamar de câmbio nas exportações brasileiras, o diretor da Confederação Nacional da Indústria (CNI) Carlos Eduardo Abijaodi, disse que não é possível afirmar se é um nível estável.
O coordenador do Centro de Agronegócio da Fundação Getulio Vargas e ex-ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, disse que o dólar pressiona os custos de produção do agronegócio, mas ajuda a compensar o recuo na cotação das commodities . (Lucianne Carneiro e Bruno Rosa)