Já conformados com a impossibilidade de fortes alterações na taxa de câmbio, e sabedores de que o recém-armado Fundo Soberano pouco poderá fazer para impedir a manutenção do real valorizado, os empresários preparam uma lista de medidas de curto prazo que poderiam ser adotadas pelo governo para deter a hemorrágica perda de competitividade dos exportadores de manufaturados. Um item óbvio desta lista é o modelo de financiamento às exportações, que a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) acusa de insuficiente e mal desenhado.
Os bancos estatais foram fundamentais para evitar que a crise financeira recente e a falta de crédito derrotassem as empresas brasileiras, mas o setor público ainda está longe de ser a principal fonte de financiamento para quem se aventura no mercado externo. Como nota o coordenador de Análise Econômica do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Fiesp, Fabrizio Sardelli Panzini, mesmo com a brutal redução das linhas externas de crédito privado ao comércio exterior em 2009, o apoio do BNDES e do Banco do Brasil somou, no máximo, 11% do financiamento às exportações brasileiras no ano passado.