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Clippings - 03/03/17

Exxon e Repsol aumentam investimentos em 2017

O ano de 2017 deverá ser o terceiro de queda nos investimentos globais das petroleiras. Um levantamento entre seis das maiores companhias do setor (Shell, Chevron, ExxonMobil, Total, Statoil e Repsol) apontou que apenas duas pretendem aumentar os aportes globais no ano. Enquanto a Exxon prevê um aumento de 14% em relação a 2016, com a expectativa de investir US$ 22 bilhões, a Repsol pretende aumentar o valor para € 3,6 bilhões, um crescimento de 12%.

Juntas, as seis companhias podem investir até US$ 111,8 bilhões e € 3,6 bilhões este ano, diminuição em relação aos US$ 135 bilhões e € 4 bilhões previstos no início de 2016.

A alta nos investimentos da Repsol pode ser uma boa notícia para o Brasil. Em 2016, a companhia investiu € 3,2 bilhões globalmente, sendo que o Brasil recebeu 13% dos investimentos globais da companhia em desenvolvimento e 6% dos investimentos exploratórios. A empresa, junta com sua sócia Sinopec, tem participação em três blocos exploratórios no país, além de participar dos campos de Albacora Leste, na Bacia de Campos, e Lapa e Sapinhoá, ambos na Bacia de Santos.

Outras petroleiras de atuação expressiva no Brasil, no entanto, estão cortando os aportes mundiais, como a Statoil, que pretende investir US$ 11 bilhões em 2017, após finalizar 2016 com investimentos acima dos US$ 14 bilhões. A empresa adquiriu recentemente a operação do bloco exploratório BM-S-8, no pré-sal da Bacia de Santos, e também opera o campo de Peregrino, na Bacia de Campos.

Também haverá cortes nos investimentos da Total (queda de 17% a 21%), Shell (queda de 7%) e Chevron (queda de 11%). Apenas a BP pretende manter os aportes nos mesmos níveis, entre US$ 16 bilhões e US$ 17 bilhões.

Todas as majors – de uma forma ou de outra – estão cortando investimentos desde 2015, com quedas que variaram de 6% a 13% na comparação com o ano anterior. Já no início de 2016, apenas Chevron, Exxon, Statoil e Total planejavam quedas nos investimentos, com reduções de 12% a 25%. Diversas consultorias já alertaram para a possibilidade de a redução nos gastos com exploração gerarem déficits no suprimento global nas próximas décadas.

“Mais de 700 campos convencionais foram descobertos nos últimos 15 anos e, apesar de esses desenvolvimentos serem cruciais para garantir a produção no médio prazo, a continuidade deste modelo de baixos resultados exploratórios mostra que o mercado pode ter um déficit de 4,5 milhões em 2035”, afirmou Patrick Gibson, diretor de pesquisas sobre Exploração da WoodMackenzie.

A baixa mundial nos investimentos também é uma preocupação da Opep, que implementou cotas de produção durante o primeiro semestre de 2017, tentando controlar a sobreoferta atual de petróleo. O cartel prevê que até 2040 a indústria deve demandar investimentos de US$ 10 trilhões para atender à demanda de 110 milhões de b/d projetada para o perãodo.

“Os novos barris são necessários não somente para aumentar a produção, mas também para compensar os declínios dos campos atuais. O ambiente hoje evidentemente coloca o futuro em risco. É vital manter a relação entre custos marginais, o preço do barril e os investimentos”, afirmou o secretário geral da Opep, Abadalla El-Badri, em abril do ano passado.