Ausente do mercado brasileiro desde 2009, quando devolveu um bloco promissor, o BM-S-22, o único do pré-sal operado até então por uma empresa estrangeira, a ExxonMobil voltou a apostar na exploração de petróleo no Brasil. Já investiu US$ 3,5 bilhões nos últimos cinco anos e, desde o ano passado, fez lances em cinco leilões promovidos pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) e adquiriu 23 áreas.
Presidente da companhia no Brasil, a brasileira Carla Lacerda diz que a volta da empresa se deve às mudanças regulatórias ocorridas nos últimos dois anos. Nesse período, a ExxonMobil pagou ao governo R$ 6,7 bilhões em bônus de assinatura, mais que os R$ 6,1 bilhões pagos pela Petrobras.
A companhia americana é a maior petroleira privada do mundo, com produção de 3,9 milhões de barris/dia e lucro de US$ 19,7 bilhões no ano passado. Está no Brasil há 106 anos, mas mantinha suas atividades ultimamente em “banho-maria”. Sua reentrada efetiva no mercado nacional começou em 2013, mas de forma discreta. Naquele ano, participou da 11a Rodada, associada à OGX, quando a então empresa de Eike Batista já apresenta- va dificuldades. No leilão, as duas ficaram com dois blocos em águas pro-fundas, nas bacias do Ceará e Potiguar.
Foi a partir de setembro do ano passado, na 14a Rodada da ANP, que começou a ficar clara a intenção da ExxonMobil de recuperar o terreno perdido para concorrentes como a Royal Dutch Shell – segunda maior petroleira privada do mundo, com produção de 2,7 milhões de barris -, que ganharam espaço em um ambiente antes dominado pela Petrobras.
Ao Valor, Carla Lacerda disse que a retomada no Brasil está relacionada às reformas feitas pelo atual governo no setor, aos ajustes na política de conteúdo local, à extensão do Repetro e à volta das rodadas da ANP, com a adoção de um calendário previsível.
Valor Econômico