A venda da participação da Infraero nos cinco aeroportos concedidos à iniciativa privada entre 2012 e 2013 — Galeão, Guarulhos, Viracopos, Brasília e Confins — será realizada a partir do início do segundo semestre de 2020, afirmou o brigadeiro Hélio Paes de Barros, presidente da estatal, na tarde desta segunda-feira.
— Estamos contratando a empresa, vamos fazer o valuation (apurar o preço) desses ativos. E queremos estar com isso preparado para a licitação a partir do segundo semestre do ano que vem. No momento, ainda em processo licitatório, então não há estimativa de qual será a modelagem adotada — disse ele, que falou a jornalistas em visita para vistoriar as obras da pista principal do aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro.
Questionado sobre se os atuais donos — as concessionárias detêm 51% do capital desses aeroportos, enquanto a Infraero tem 49% — serão os principais interessados no processo licitatório, o presidente da estatal frisa que tudo vai depender do modelo desenhado
para a venda da fatia da estatal nesses ativos:
— Vai depender muito da modelagem. E ela só será feita a partir da
avaliação, que vai dizer se vale a pena abrir capital, se os acionistas vão querer que o outro tenha também voto, o que pode valorizar ainda mais o ativo, inclusive para quem detém os 51%.
Desses cinco aeroportos, o de Viracopos está em recuperação judicial desde maio de 2018. Antes disso, em 2017, a concessionária pediu para devolver o ativo, solicitando que ele fosse relicitado, o que foi negado pelo governo.
Ele descartou que a Infraero seja liquidada depois de 2022, após a conclusão das rodadas de concessão de aeroportos. A 6ª rodada está prevista para outubro de 2020; a 7ª, para entre o fim de 2021 e o início do ano seguinte.
— Acredito que não (haverá liquidação). (A Infraero) tem bons serviços, tem condições de prosseguir. Ela já é uma prestadora de serviço. Os aeroportos são do governo federal. Vai continuar com essa vertente na aviação regional, que vai pedir uma política de governo específica para dar suporte esse negócio — sublinhou, destacando que é preciso ter sustentabilidade financeira para fazer com que “a Infraero pare em pé”.
O ministro da Infraestrutura, Tarcísio Freitas, já sinalizou que a Infraero passará a cuidar da aviação regional, em parceria com estados e municípios.
Santos Dumont aberto mais tempo sob chuva
Fonte: Jornal O Globo