Após quase cinco meses de negociações, Petrobras assina contrato para substituir equipamentos perdidos em naufrágio
Por Claudia Siqueira
A Siemens e a Petrobras fecharam contrato para o fornecimento de quatro geradores para a P-71, em substituição aos que foram perdidos no naufrágio da balsa que fazia seu transporte na costa de Itajaí (SC), em meados de maio. Segundo fontes, a retirada dos novos equipamentos será feita até janeiro pelo vencedor da licitação para construção dos módulos da plataforma ou pela própria petroleira.
Segundo apurado pelo PetróleoHoje, o acordo foi fechado por um valor abaixo de US$ 50 milhões, após negociações conduzidas pelo Petronect, o portal eletrônico de compras da Petrobras. As turbinas estão prontas em Roterdã, na Holanda, e são idênticas às perdidas no incidente.
Os novos geradores foram fabricados para serem instalados nos FPSOs P-72 e P-73, mas acabaram sem destino depois que a Petrobras cancelou os contratos de construção das unidades de produção. O contrato original foi firmado em 2011, e os grupos geradores ficaram prontos em 2015, dois anos antes do cancelamento das obras das plataformas.
Durante a negociação com a Siemens, foram feitas visitas e inspeções técnicas para avaliar o estado dos equipamentos, que pesam cerca de 120 t e têm capacidade de geração de 25 MW cada uma. Foi detectada a necessidade de pequenos reparos nas WHRU (Waste. Heat Recovery Units) – trabalhos que já estão em execução.
A Petrobras ainda negocia a contratação do serviço de construção dos módulos por outra licitação, para a qual foram convidadas os estaleiros Cosco, Brasfels, EBR, Aible e BJC, entre outros. As propostas foram recebidas no dia 4 de outubro.
A Petrobras estabeleceu 11 meses para execução do contrato, o que inclui a compra de equipamentos, a construção/montagem e a entrega do módulo no Brasil, no Estaleiro Jurong, em Aracruz (ES), responsável pela integração da P-71. A construção do casco é feita no Estaleiro Raffles, na China.
Cinco meses após o incidente, a Petrobras segue sem confirmar a data do primeiro óleo da P-71 e o campo em que produzirá, mas fontes ligadas ao projeto antecipam que a unidade será instalada em Lula Oeste.
O plano original previa sua instalação na área de Iara, onde estão os campos de Sururu, Berbigão e Oeste de Atapu, mas, após atrasos na obra de construção, o projeto foi retirado do plano de negócios da Petrobras (2019-2023). A última previsão oficial da petroleira era que o trabalho de integração dos módulos ao topside ocorreria no primeiro semestre de 2020.
Capacitada para produzir 150 mil bopd, a P-71 faz parte de um pacote de oito FPSOs replicantes encomendados em 2010 a estaleiros brasileiros com destino ao cluster de Santos (P-66, P-67, P-68, P-60, P-70, P-71, P-72 e P-73). Diante de atrasos e dificuldades financeiras enfrentados pelas empresas nacionais, a Petrobras transferiu parte das obras para estaleiros asiáticos e cancelou as duas últimas plataformas.
Fonte: Revista Brasil Energia