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Clippings - 08/04/21

Fim de acordo com Argentina pode afetar operação no longo prazo

 

Divulgação Aliança

Aliança avalia que, em caso de não renovação do termo bilateral em 2022, pode se retirar desse trade, assim como decidiu sair do mercado chileno, quando a operação deixou de fazer sentido.

Representantes de empresas brasileiras de navegação (EBNs) receberam e confirmaram a informação de que o governo brasileiro não quer continuar com o acordo bilateral de navegação com a Argentina a partir de março de 2022, quando ele seria renovado. A justificativa é que os dois países têm ambição de entrar na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), onde não é permitido haver condições especiais entre dois países que não sejam dadas a outros países desta organização. O diretor de relações institucionais da Aliança Navegação e Logística, Mark Juzwiak, identifica a ameaça de um desequilíbrio nesse mercado de carga entre os dois países, que hoje possuem fretes considerados competitivos, além de levar os futuros armadores que assumirem esse trade a virem a partir para mercados mais atrativos.

As EBNs entendem que, como o Brasil tem ambição de entrar na OCDE daqui a três ou cinco anos, seria positiva uma extensão do prazo a fim de discutir assuntos que poderiam afetar as bandeiras brasileira e argentina. O diretor-executivo da Aliança, Marcus Voloch, observa que existe o risco de acontecer o mesmo que no Chile, onde o mercado não cresceu, o frete não caiu e a oferta de navios não aumentou. A Aliança, que abandonou a rota após o fim do acordo bilateral com o Brasil, lamenta a ausência de empresas brasileiras e que impostos e empregos criados no Brasil foram todos exportados para outros países. “É um risco que pode acontecer no [acordo] bilateral entre Brasil e Argentina e Brasil e Uruguai”, alertou Voloch, em videoconferência com jornalistas, nesta quarta-feira (7).

O diretor acrescentou que a empresa tem custos importantes em dólar, como combustível e contêineres. Voloch ressaltou que participar do Mercosul é um hedge natural, na medida em que ter receita em dólar é importante nesse negócio. “A hora que perdemos esse mercado, coloca em risco nosso equilíbrio. Pode ser que a Aliança tenha que reduzir sua exposição no mercado internacional. Se deixa de ter receita, precisa cortar custos também”, avaliou.

Voloch disse que a Aliança pode se retirar desse mercado, como saiu do mercado chileno, quando a operação deixou de fazer sentido. Ele disse ainda que uma saída impactaria toda a logística atual, já que as operações formam uma grande cadeia integrada. “Os navios que atendem o Mercosul atendem a cabotagem e vice-versa. “Se quebra um elo, todo equilíbrio se rompe. No curto prazo, pouca coisa muda. No longo prazo, a operação pode ser severamente afetada”, analisou.

A Aliança entende que o mercado tem que ser liberalizado, mas é preciso pesar o que se ganha em troca. Voloch comparou que, no caso do Chile, o Brasil não ganhou nada com o fim do acordo bilateral. Segundo o diretor, o prejuízo para o país foi grande pela ausência de empresas brasileiras de navegação operando nessa rota. Ele estima que 34% do lucro nesse mercado com o Chile ficava no Brasil: 25% de imposto de renda e 9% de contribuição social sobre lucro líquido. “O mercado não cresceu e o frete não caiu. Foi para a mão de outros armadores”, afirmou.

Fonte: Revista Portos e Navios