Divulgação Aliança
Aliança avalia que, em caso de não renovação do termo bilateral em 2022, pode se retirar desse trade, assim como decidiu sair do mercado chileno, quando a operação deixou de fazer sentido.
Representantes de empresas brasileiras de navegação (EBNs) receberam e confirmaram a informação de que o governo brasileiro não quer continuar com o acordo bilateral de navegação com a Argentina a partir de março de 2022, quando ele seria renovado. A justificativa é que os dois países têm ambição de entrar na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), onde não é permitido haver condições especiais entre dois países que não sejam dadas a outros países desta organização. O diretor de relações institucionais da Aliança Navegação e Logística, Mark Juzwiak, identifica a ameaça de um desequilíbrio nesse mercado de carga entre os dois países, que hoje possuem fretes considerados competitivos, além de levar os futuros armadores que assumirem esse trade a virem a partir para mercados mais atrativos.
As EBNs entendem que, como o Brasil tem ambição de entrar na OCDE daqui a três ou cinco anos, seria positiva uma extensão do prazo a fim de discutir assuntos que poderiam afetar as bandeiras brasileira e argentina. O diretor-executivo da Aliança, Marcus Voloch, observa que existe o risco de acontecer o mesmo que no Chile, onde o mercado não cresceu, o frete não caiu e a oferta de navios não aumentou. A Aliança, que abandonou a rota após o fim do acordo bilateral com o Brasil, lamenta a ausência de empresas brasileiras e que impostos e empregos criados no Brasil foram todos exportados para outros países. “É um risco que pode acontecer no [acordo] bilateral entre Brasil e Argentina e Brasil e Uruguai”, alertou Voloch, em videoconferência com jornalistas, nesta quarta-feira (7).
O diretor acrescentou que a empresa tem custos importantes em dólar, como combustível e contêineres. Voloch ressaltou que participar do Mercosul é um hedge natural, na medida em que ter receita em dólar é importante nesse negócio. “A hora que perdemos esse mercado, coloca em risco nosso equilíbrio. Pode ser que a Aliança tenha que reduzir sua exposição no mercado internacional. Se deixa de ter receita, precisa cortar custos também”, avaliou.
Voloch disse que a Aliança pode se retirar desse mercado, como saiu do mercado chileno, quando a operação deixou de fazer sentido. Ele disse ainda que uma saída impactaria toda a logística atual, já que as operações formam uma grande cadeia integrada. “Os navios que atendem o Mercosul atendem a cabotagem e vice-versa. “Se quebra um elo, todo equilíbrio se rompe. No curto prazo, pouca coisa muda. No longo prazo, a operação pode ser severamente afetada”, analisou.
A Aliança entende que o mercado tem que ser liberalizado, mas é preciso pesar o que se ganha em troca. Voloch comparou que, no caso do Chile, o Brasil não ganhou nada com o fim do acordo bilateral. Segundo o diretor, o prejuízo para o país foi grande pela ausência de empresas brasileiras de navegação operando nessa rota. Ele estima que 34% do lucro nesse mercado com o Chile ficava no Brasil: 25% de imposto de renda e 9% de contribuição social sobre lucro líquido. “O mercado não cresceu e o frete não caiu. Foi para a mão de outros armadores”, afirmou.
Fonte: Revista Portos e Navios
