Finep vai fazer chamada pública com gestores para investir nas áreas de óleo e gás. Os investidores pessoas físicas vão ganhar novo estímulo para injetar recursos em fundos de participação.
A Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) vai fazer uma chamada pública, em setembro, para que gestores levantem fundos de participação na produção econômica intensiva em pesquisa, desenvolvimento e inovação (FIP-PD&I) que tenham, no portfólio, empresas que desenvolvem tecnologia nas áreas de óleo e gás, defesa e agronegócios, nos mesmos moldes que já acontece com os fundos de infraestrutura.
O fundo dará isenção do imposto de renda para pessoas físicas. Servirá, portanto, como uma poupança privada, diz Augusto Costa, chefe do departamento de investimentos da instituição.
A regulamentação desse tipo de fundo, com isenção fiscal, é de julho de 2011, quando a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) editou a Instrução número 501. De lá para cá, não foi captado nenhum FIP-PD&I, mas já foram levantados 33 FIPs de infraestrutura.
Queremos funcionar como uma porta de entrada. Já tem gestores interessados nisso, comenta o executivo da financiadora, que tem orçamento anual de R$ 120 milhões e adquire participação minoritária em fundos – exceto nos de capital semente, em que a fatia adquirida é, em média, de 70%.
Nesses casos, a participação de pessoas físicas chega até 20% do total. Projetos intensivos em tecnologia têm maiores retornos, mas também mais riscos. Em média, a rentabilidade é de IPCA mais 6% a 8%.
Segundo as regras, esses fundos devem manter no mínimo 90% de seu patrimônio líquido investido em ações, bônus de subscrição, debêntures, conversíveis ou não em ações, ou outros títulos de emissão de sociedades anônimas, de capital aberto ou fechado, desde que permitidos pela regulamentação da CVM.
Os FIP-PD&I devem ter, no mínimo, cinco cotistas, sendo que cada um não pode deter mais de 40% das cotas emitidas ou auferir rendimento superior a 40% do rendimento total do fundo.
Outra novidade é que a Finep vai investir diretamente em duas empresas ainda neste ano – até então o aporte era feito apenas por meio de fundos. Os setores escolhidos também serão o de petróleo e gás, aeroespacial, energia, tecnologia e saúde.
Essa nova estratégia se enquadra no programa Inova Empresa, que é uma parceria com o BNDES, que tem mais de R$ 30 bilhões para investir em empresas nos próximos dois anos.
Também vamos fazer o primeiro desinvestimento do fundo de capital semente. A ideia é que a saída seja por meio da abertura de capital, comenta. O executivo se refere ao acordo que a BM&FBovespa, CVM e Ministério da Fazenda estão orquestrando para dar acesso a pequenas e médias companhias ao mercado de capitais. Vai ser um jeito de destravarmos o Bovespa Mais, afirma.
Fundos de infraestrutura ainda patinam
Segundo Nelson Rozental, sócio diretor da BRZ Investimentos, há alguns entraves para os fundos de participação, em especial os de infraestrutura. O primeiro deles é o descasamento entre o perãodo de licitação e da carteira de investimento que, em geral, é de cinco anos.
Tem portos que estão demorando 12 anos, comenta. Não sei se o nosso cheque também está pequeno em relação ao ao crescimento da economia ou o que falta é fazer project finance. Nenhum private participou das licitações de aeroportos, por exemplo. Foram só empreiteiras.
Para Patrice Etlin, Managing Partner da Advent International, um dos grandes entraves é a falta de débito para fazer aquisições (acquisition debt), que é bastante comum nos Estados Unidos e na Europa. Tudo acaba ficando no colo do BNDES, não existe alternativa.
Só temos dívida comercial, sem alavancagem. Os bônus de debêntures ainda são bastante incipientes e, se depender apenas de equity para fazer infraestrutura no país, não vai conseguir, comenta Etlin. Como não podemos alavancar (a média é de 1,5 vez o Ebitda), tivemos de aprender a tirar retorno da operação.