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Clippings - 30/01/15

Firjan teme efeitos sobre setor naval

O presidente da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), Eduardo Eugenio Gouvêa Vieira, reforçou ontem o discurso de que a punição às empreiteiras envolvidas no escândalo de corrupção da Petrobras deve se concentrar nas pessoas e não nas empresas em si. Ele se reuniu em Brasília com os ministros da Fazenda, Joaquim Levy, e do Desenvolvimento, Armando Monteiro. Nas conversas, demonstrou sua preocupação com os efeitos da Operação Lava-Jato na indústria naval do Estado, que tem 22 estaleiros – dos 50 existentes em todo o país – e emprega cerca de 44 mil trabalhadores.

“Temos empresas pequenas, médias e grandes que estão em brutal insegurança operacional, financeira e contratual”, disse Gouvêa Vieira ao Valor, após as reuniões. “É uma hecatombe que não sabemos exatamente onde vai parar, mas precisamos reconhecer o esforço enorme da Petrobras atualmente em apurar tudo.”

A mensagem do empresário é que a indústria naval não pode parar enquanto as investigações da Polícia Federal avançam, sob pena de prejudicar a própria Petrobras, em sua estratégia de aumentar a produção. Por isso, ele apresenta uma ideia: se ainda há suspeitas que recaem sobre algumas empresas, o governo poderia nomear interventores temporários, em concordância com as próprias companhias. “Nem sei se isso é juridicamente possível. O que não podemos fazer é simplesmente fechar empresa A ou B.”

Para o presidente da Firjan, a política de exigir e fomentar conteúdo nacional na exploração petrolífera é sempre passível de ajustes, mas não pode ser colocada em xeque por causa da crise política que tem a Petrobras e as empreiteiras na linha de frente. “Não existe país no mundo que não aproveite um trunfo econômico, como o petróleo, para agregar valor à cadeia produtiva”, afirmou.

Nas reuniões com os ministros, Gouvêa Vieira disse ter manifestado que a indústria naval quer e precisa de uma política industrial com base na eficiência das empresas, e não em subsídios. De acordo com a Firjan, o Brasil tem hoje 50 estaleiros, além de cinco novos em construção. Isso abrange uma carteira de aproximadamente 400 obras: embarcações de apoio, plataformas de petróleo, navios mercantes, navios de guerra e submarinos, sendo um nuclear. O Rio concentra a maior “cluster” do setor: são 260 empresas de navipeças e cerca de 50% de toda a mão de obra direta empregada no país.