A indústria recebeu com bastante entusiasmo a notícia revelada pelo ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, sobre uma possível flexibilização da exclusividade da operação da Petrobras nos projetos de E&P regidos sob o modelo de partilha. Para o IBP, a nova postura do governo sinaliza que o Brasil poderá voltar a ser mais competitivo e atraente aos olhos do mercado e que há espaço para o diálogo e a melhoria das regras em vigor.
Além da questão da flexibilização da operação única no pré-sal, o presidente do IBP, Jorge Camargo, destacou que outros dois pontos mencionados pelo ministro Eduardo Braga farão a diferença para a retomada dos investimentos: a adoção de um calendário anual de leilões voltados ao pós-sal e a realização de ajustes nas regras de conteúdo local.
“A diversidade de operação no pré-sal, a adoção de calendários anuais para os leilões e a realização de aperfeiçoamento nas regras de conteúdo nacional são pontos defendidos pela indústria, dentro da agenda prioritária do IBP. Ficamos muito estimulados com esse anúncio e estamos interessados em continuar com o diálogo, no sentido de aprofundar, detalhar e contribuir com essas questões para aprimorar o cenário de investimentos para o Brasil”, afirma Camargo.
Na avaliação do IBP, a posição do ministro sinaliza um reposicionamento do Brasil em relação a novos tempos. “O Brasil está passando por um novo tempo, um novo ciclo. O ajuste das políticas locais indica um realinhamento ao novo ambiente macro econômico e aponta direções claras que a ajudam a indústria”, salienta o presidente do IBP.
Para o diretor-presidente da Barra Energia e ex-presidente do IBP, João Carlos De Luca, o caminho das mudanças aponta para o rumo certo. “O caminho é esse, pois precisamos de regras adequadas, atrativas e estáveis. Temos um tremendo potencial e só precisamos ajustar as regras para que os investimentos e a confiança do investidor possam se restabelecer”, analisou o executivo.
De Luca destacou que as afirmações do ministro seguem o rumo que outros países vem tomando, diante dos novos preços do barril do petróleo. A opinião é de que o novo conjunto de medidas trará de volta o dinamismo do mercado brasileiro.
“Precisamos voltar a ser o queridinho do mercado, como já fomos . Isso pode ser o início dessa retomada a medida terá impacto positivo para toda a indústria”, avalia o executivo da Barra Energia.
Para uma fonte do setor que prefere não se identificar, a opção de poder exercer ou não o direito de operação nos projetos de partilha é tudo o que a Petrobras precisa para selecionar os projetos que são mais aderentes com a sua estratégia. “A flexibilização é extremamente positiva para a Petrobras. Dessa forma, a empresa poderá definir sua carteira de projetos e não ficar refém da carteira de projetos que o governo deseja licitar”, avalia uma alta fonte do mercado.
João Clarke, executivo da Ecopetrol no Brasil e membro do comitê de petróleo do IBP, considerou as sinalizações feitas pelo ministro Eduardo Braga um grande avanço. Ele aposta que isso pode vir a ser o início de um processo de melhoria mais amplo.
Do ponto de vista da Ecopetrol, João Clarke destaca que as iniciativas são animadoras para a companhia, pois podem aumentar as chances de sucesso da empresa na composição de eventuais novos consórcios para disputa de áreas no pré-sal. “A posição do ministro demonstra que o Brasil está quebrando a resistência a reformas, o que é importante e animador, tendo em vista também que há mais coisas para serem melhoradas”, afirma Clarke.
Procurada, a Petrobras, através de suas assessoria de imprensa, informou que a Diretoria de E&P não quis comentar as declarações do ministro.