A exemplo do governo Temer, presidente Jair Bolsonaro prioriza oferta de ativos nas bacias de Campos e Santos
A última vez em que Santos encabeçou a lista anual foi em 2007, quando a ANP colocou em oferta 120 ativos na bacia ou 38% dos blocos selecionados para a 9ª rodada da agência. Entre 2008 e 2015, os governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, do PT, priorizaram áreas em bacias como a de Sergipe-Alagoas, Recôncavo, Potiguar, Foz do Amazonas e Pelotas.
Já sob os comandos de Michel Temer (2017-18) e, agora, Jair Bolsonaro, Santos passou a ganhar mais espaço, elevando em quase três vezes sua fatia no portfólio de blocos em oferta entre 2017 e 2019 e podendo chegar a 48 áreas leiloadas ao final deste ano – uma a mais que Campos no período.
O que será ofertado em Santos
No 16ª rodada de concessões, estarão em jogo 11 blocos: S-M-1006, S-M-1008, S-M-1494, S-M-1496, S-M-1500, S-M-766, S-M-881, S-M-883, S-M-885, S-M-887, S-M-889. Os ativos se localizam no norte da Bacia de Santos, fora do polígono do Pré-sal e próximo ao limite com a Bacia de Campos, em lâminas d´água entre 2,5 mil m e 3 mil m, totalizando 8.495 km² de área.
Segundo a ANP, foram identificadas, nessas áreas, situações favoráveis à acumulação de hidrocarbonetos no Pré-sal, semelhantes às descobertas já realizadas na bacia.

No 6º leilão de partilha da produção serão ofertados Aram, Bumerangue, Cruzeiro do Sul, Norte de Brava e Sudoeste de Sagitário – todos na porção central de Santos, com exceção de Bumerangue, que fica ao sul da bacia.
Aram está situado lizado em lâmina d’água de 1,8 mil m, a oeste do bloco BM-S-8 e a sudoeste dos blocos Norte de Carcará e Uirapuru, enquanto Bumerangue fica em lâmina d’água de 2,3 mil m.
Cruzeiro do Sul se localiza em lâmina d’água em torno de 2,2 mil m. O ativo está a leste do campo de Lula e a oeste do bloco BM-S-24, no qual foi realizada a descoberta da acumulação de Júpiter.
Já Sudoeste de Sagitário está em lâmina d’água de 1,85 mil metros, a oeste de Norte de Carcará e Uirapuru e a sudoeste do bloco S-M-623, no qual foi descoberto o prospecto de Sagitário.
Norte de Brava, por sua vez, situa-se em lâmina d’água entre 200 m e 800 m, entre os campos Marlim Leste, Marlim, Voador, Viola, Moréia e Albacora. O bloco apresenta extensão do prospecto Brava.

Marcado para 28 de outubro, o leilão do excedente ofertará as áreas de Sépia e Búzios – análogas aos campos homônimos que já produzem no pré-sal – e Atapu e Itapu, cujo primeiro óleo está previsto para 2020 e 2023, respectivamente.
Marca histórica
Com os leilões programados para este ano, o Brasil ultrapassará os 5 mil blocos exploratórios ofertados desde 1999, sendo 2,962 mil em mar e 2,040 mil em terra. O cálculo abrange as 16 rodadas de concessões, sete de partilha (incluindo o excedente da cessão onerosa) e quatro de acumulações marginais.
No entanto, se desconsiderados os 284 blocos ofertados na oitava rodada de licitações, realizada em 2006 e cancelada sete anos depois pela ANP, a contagem cai para 4,718 mil áreas colocadas em leilão desde a abertura do setor petróleo nacional.
Fonte: Revista Brasil Energia