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Clippings - 15/06/21

Follow on da Petrobras é bem recebido pelo mercado

Petroleira se prepara para vender a sua participação remanescente de 37,5% na distribuidora

Por Felipe Salgado    Em 14/06/2021Compartilhe

Diante do fato relevante divulgado pela Petrobras na última sexta-feira (11/6), onde a estatal informa que solicitou cooperação à BR Distribuidora para implementar a oferta pública secundária (follow on) para a venda de sua participação remanescente de 37,5%, o analista de Equity Research da Ativa Investimentos, Ilan Abertman, avalia que a nova gestão deu um passo importante ao sinalizar ao mercado a intenção de prosseguir com o seu programa de desinvestimentos e o foco permanente no pré-sal.

Afinal, mesmo que a Petrobras tenha afirmado que o “comunicado não deve ser considerado como anúncio de oferta”, está em curso a continuidade da estratégia elaborada ainda na gestão de Castello Branco de não ter mais a BR Distribuidora como sócia da estatal, mas apenas como cliente. O follow on, que entrou em compasso de espera devido à pandemia, começa a tomar forma sob a nova gestão, que assumiu o comando sob clima de cautela e desconfiança do mercado após a crise desencadeada em torno da política de preços dos combustíveis.

Para Ilan, se o comunicado da Petrobras serviu para enterrar qualquer dúvida acerca da continuidade da venda de ativos e do foco dos investimentos no pré-sal, a política de preços continua sendo o calcanhar de Aquiles da companhia. Com a redução dos preços da gasolina anunciada no último dia 11, a defasagem já alcança níveis superiores a 16% frente ao mercado internacional, justamente no momento em que o Brent é negociado num patamar de US$ 70 / barril.

No entanto, ao tratar do follow on, o economista afirma que trata-se de uma relação “ganha-ganha”, já que a Petrobras reduzirá o montante de sua dívida e terá maior capacidade para pagar proventos aos acionistas, enquanto a BR Distribuidora ficará livre das amarras operacionais e institucionais que a prendem a estatal, podendo finalmente se tornar uma “corporation ágil e eficiente”.

“A BR ganha, principalmente, na gestão do Opex (despesas) e no custo médio ponderado de capital. A distribuidora vinha perdendo mercado para suas competidoras (Shell e Ipiranga) no que diz respeito ao diesel e gasolina. A venda do capital da Petrobras deve recolocá-la no jogo”, disse.

Ilan acredita que o mercado de combustíveis terá uma forte recuperação com o avanço da vacinação e a gradual retomada da mobilidade urbana.

Recuperação do mercado de combustíveis

De acordo com o Relatório de Previsão do Mercado de Petróleo da S&P Global Platts Analytics para a América Latina, mesmo com uma taxa de infecção diária por Covid-19 ainda bastante elevada, a mobilidade no Brasil apresentou tendência de alta em abril e maio, o que deu suporte a uma maior demanda por combustíveis.

Enquanto o consumo nas bombas subiu, o relatório aponta que as operações de refinaria no Brasil diminuíram acentuadamente em abril. Segundo Lenny Rodriguez, gerente de análise de preços de petróleo e perspectivas regionais da S&P Global Platts, a manutenção programada nas refinarias ainda deve limitar a produção e gerar uma média de 1,7 milhão de barris de petróleo por dia no terceiro trimestre de 2021, cerca de 115 mil barris por dia a menos na comparação ano a ano.

O relatório da S&P Global Platts Analytics reforça que a agricultura e o transporte têm sido fundamentais para o consumo de diesel no Brasil. Apesar disso, para o terceiro trimestre a demanda ainda deve ficar em cerca de 30 mil barris por dia menor do que o registrado no mesmo período de 2019.

“A pandemia, tensões políticas, taxas de desemprego muito altas e a seca severa são situações que adicionam incerteza às nossas previsões”, explica Rodriguez.

Fonte: Revista Brasil Energia

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