
Sonda OND I (Divulgação Foresea)
Empresa criada após reestruturação da unidade de perfuração da Ocyan mira serviços em áreas ultraprofundas em AJB e manterá mercados internacionais no radar. Companhia incorporou cinco sondas ao portfólio que já possuem contratos
A Foresea avalia que o aumento do preço do barril de petróleo e demandas reprimidas em programas de perfuração de empresas do setor de O&G apontam para o início de um novo período de alta no segmento. Criada esta semana, a partir da reestruturação da antiga unidade de perfuração da Ocyan S.A., a Foresea vê o mercado brasileiro vivendo um momento especial com a entrada nesse novo ciclo. Com a reestruturação da dívida, todos os ativos de perfuração ficaram dentro da nova empresa, que assumiu uma das maiores carteiras de contratos no mercado brasileiro — da ordem de US$ 2,4 bilhões. A Ocyan permaneceu com as atividades ligadas à manutenção industrial offshore.
Com a entrada de credores no hall de acionistas, a dívida caiu de US$ 2,7 bilhões para US$ 300 milhões. A Foresea destaca que nasceu financeiramente saudável, com operação totalmente independente e com potencial para novos investimentos. Os principais acionistas são fundos internacionais. “Transformamos nossa dívida em participação. Nasceu uma nova empresa com antigos credores como acionistas dela”, explicou o vice-presidente executivo de perfuração da Foresea, Heitor Gioppo, à Portos e Navios.
Gioppo afirmou que, apesar de a empresa estar com a frota contratada para serviços em águas brasileiras, a Foresea manterá um olhar para outros mercados. Para olhar para fora, nessa fotografia inicial, não tem unidade para atender clientes fora da região porque já temos contratos para essa frota para os próximos anos. Além de olhar o Brasil, estamos sempre olhando América do Sul como um todo e oeste da África”, mencionou.
Atualmente, a maior concentração das unidades de perfuração está nas bacias do Sul e do Sudeste. Gioppo ressaltou que os contratos vigentes preveem atuação em toda a costa brasileira e que, enquanto empresa de serviços, são os clientes que definem a localização das perfurações. “Não é que estamos mirando a zona equatorial, quem está mirando (margem equatorial) é o cliente, vamos para onde o cliente vai”, disse.
Segundo o executivo, a estratégia da Foresea é entrar no campo de visão dos clientes para projetos em águas profundas e ultraprofundas. “Nossa missão com esse momento de reestruturação, é ser a escolha preferencial do cliente para águas profundas e ultraprofundas na região, olhando primeiro para o Brasil — que é nosso quintal — e depois para outras áreas”, pontuou.
A Foresea tem cerca de 1.600 colaboradores, sendo quase 70% desses em trabalho offshore. Atualmente, a companhia possui um portfólio de ativos com cinco sondas (ODN I, ODN II, Norbe VI, Norbe VIII e Norbe IX), todas contratadas, e já opera sonda da Prio, a Hunter Queen, que iniciará atividades em agosto na Bacia de Campos. Cada embarcação opera com aproximadamente 170 integrantes.
Para Gioppo, o grande desafio para as atividades de O&G nesse novo ciclo é a formação de profissionais qualificados. “No ciclo de baixa, as pessoas deixam a indústria e fica um núcleo mantendo durante anos de baixa atividade. Quando aumenta rápido a demanda no setor, onde estão as pessoas? É preciso capacitar — e já estão capacitando — gente para esse momento de alta”, observa. O executivo acrescentou que esse tipo de atividade exige profissionais com anos de experiência em diferentes funções.
Gioppo também percebe que, em razão do aquecimento gradativo das atividades, os custos de afretamento já não são os mesmos de dois anos atrás. “Os fornecedores de equipamentos para indústria já sentiram o aquecimento da demanda e os preços já começaram a subir. Já vemos o aumento de preços para todos os fornecedores dessa indústria”, relatou.
Fonte: Revista Portos e Navios