Prestadoras de serviços estão apostando na oferta de novas plataformas de visualização e tratamento de dados como forma de aumentar a segurança e reduzir custos das petroleiras durante a crise. O caso mais recente é o da GE, que anunciou esta semana um acordo com a espanhola Indra para trabalhar em conjunto no desenvolvimento de aplicações digitais para uma plataforma em nuvem que facilita a análise e gerenciamento de dados em máquinas.
A iniciativa faz parte dos esforços da empresa para construir um ecossistema industrial digital e projetar soluções digitais para o setor de óleo e gás.
“Esta arquitetura melhora a produtividade e eficiência dos ativos. Com o Predix (nome da plataforma), são aplicados conhecimentos de internet industrial a fim de promover melhor experiência operacional, maior rentabilidade dos investimentos e novos modelos de negócio” afirmaram as companhias em nota.
No começo do ano, a Petrobras fechou um acordo de cooperação tecnológica com a Intelie com o objetivo de equipar suas sondas offshore com um sistemas de gerenciamento de dados em tempo real na perfuração de poços. A expectativa é economizar R$ 10 milhões em 2016 e estender o programa a toda frota nos próximos anos.
“A maior parte das ferramentas que fazem este tipo de monitoramento foi desenvolvida para resolver problemas específicos, mas não tem flexibilidade ou não dá poder aos engenheiros finais. A chave de nossa tecnologia é a palavra ‘plataforma’: trazemos o engenheiro para colaborar, já que eles dependem menos do desenvolvimento de um software para elaborar uma solução”, explicou Ricardo Clemente, diretor geral da empresa.
Em maio deste ano, a Ouro Preto Óleo e Gás contratou uma tecnologia de virtualização de gráficos fornecida pela Nvidia para virtualizar as centrais de trabalho e permitir que seus engenheiros trabalhassem de casa.
“Já temos empregados manipulando dados sísmicos remotamente pelos seus tablets”, conta Eduardo Cunha, responsável pela área de Tecnologia da Informação da Ouro Preto Oléo e Gás.
De acordo com Marcio Aguiar, gerente de vendas da Nvidia na América Latina, além da maior mobilidade dos funcionários, uma das vantagens da adoção da tecnologia é a centralização de dados, o que aumenta a visibilidade e controle das atividades dos usuários e a segurança no compartilhamento de arquivos.
“A tecnologia é vantajosa pois oferece flexibilidade. Não é uma oportunidade somente de cortes de custos, mas também de oferecer um novo modelo de computação. ”, explica Aguiar. A empresa também fornece tecnologias que auxiliam na realização de cálculos matemáticos e análise de dados complexos para clientes como Statoil, Pemex e Ecopetrol.
A perceoção é que as novas ferramentas ganham espaço no mercado justamente na crise, quando as empresas buscam ferramentas de alto retorno de investimento como alternativas às tecnologias já estabelecidas.
“A indústria está se reinventando e abrindo a possibilidade para que uma empresa inovadora tenha voz. (…) Em um mercado muito estabelecido, com o barril a US$ 100, dificilmente veríamos abertura para a inovação”, destacou Ricardo Clemente, da Intelie.