Somente duas empresas apresentaram propostas de afretamento; baixo interesse é atribuído ao aquecimento do mercado
O aquecimento mundial do mercado de FPSOs parece já afetar licitações da Petrobras. A exemplo dos processos de Marlim e de Mero 2, a petroleira atraiu apenas duas empresas – Yinson e a Bluewater/ Saipem – para a licitação de afretamento do FPSO para o Parque das Baleias. O recebimento das ofertas ocorreu no dia 1º de março e, desde então, a comissão de licitação segue avaliando as documentações para qualificação técnica das empresas.
Tanto a malaia Yinson, quanto a holandesa Bluewater não possuem atuação no Brasil e são consideradas quase que novatas nos processos da Petrobras. No passado, a Bluewater ensaiou tentativas de participação nas licitações da estatal, mas sempre acabou declinando. Já a Yinson fez sua estreia neste ano, disputando a concorrência para o afretamento das unidades de Marlim, ainda em curso.
A Saipem, por sua vez, é operadora do FPSO de Cidade de Vitória, que produz no campo de Golfinho, na Bacia do Espírito Santo, mas está ausente dos bids da Petrobras há um longo período.
A Bluewater participa do consórcio como empresa operadora, tendo a responsabilidade de captar financiamento junto a grupos chineses, enquanto empresa italiana atuará ligada à engenharia, tendo sob sua tutela toda a parte de EPC da unidade.
O FPSO do Parque das Baleias – complexo de campos localizados na Bacia de Campos – terá capacidade para produzir 100 mil bopd e comprimir 5 milhões de m³/d de gás. O contrato de afretamento será de 22 anos e meio, com entrada em operação marcada para 2022.
Pela primeira vez, a Modec e a SBM optaram por não participar de uma licitação da Petrobras para o afretamento de um FPSO de grande porte. Desde que a petroleira deu início à estratégia de afretamento de unidades de produção com capacidade a partir de 100 mil bopd, as duas vinham disputando todos os processos em curso, com exceção do período em que a SBM esteve impedida de participar das licitações da petroleira por conta de escândalos de corrupção.
O baixo interesse pelas licitações de FPSOs em curso é atribuído ao aquecimento do mercado, ao crescente número de oportunidades de negócios em diversos polos da indústria e ao alto custo do financiamento. Há até pouco tempo, a Petrobras recebia, em média, pelo menos quatro propostas em cada concorrência.
Na licitação dos dois FPSOs de Marlim, que tem conteúdo local baixo – próximo de zero –, apenas a Modec, Teekay e Yinson apresentaram proposta. Já o processo de Mero 2 teve ofertas da SBM e da Modec.
Fonte: Revista Brasil Energia