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Clippings - 12/03/26

Frotas da CBO e da Oceanpact são muito complementares, diz Andrade

Para executivo, ampliação do tamanho e diversificação das embarcações operadas após fusão entre empresas podem trazer novas oportunidades de contratações no offshore

A combinação de negócios entre OceanPact e CBO, caso confirmada a fusão pelos órgãos de controle, resultará na segunda maior frota de apoio marítimo que trafega em águas jurisdicionais brasileiras, com um total de 73 unidades. Para o CEO da OceanPact, Flavio Andrade (foto), a principal vantagem dessa transação para a atividade de navegação do grupo é que, olhando separadamente, as frotas das duas empresas possuem características que são bastante complementares.

A frota combinada reúne 40 PSVs (transporte de suprimentos) / OSRVs (combate ao derramamento de óleo), 15 AHTS (manuseio de âncoras), 15 RSVs (embarcações equipadas com robôs) e três de outros tipos — dois barcos de pesquisa e um LH (manuseio de linhas e amarrações) de pequeno porte. A CBO tem PSVs de grande porte, high spec, e AHTS de médio e grande portes.

flavio-andrade-oceanpact-divulgacao.jpgAndrade destacou a eficiência operacional da frota da CBO, que possui um downtime considerado menor que os atuais da OceanPact, o que representa menos quebras em navios que já estão em contrato. Do lado da OceanPact, ele chamou a atenção para a ocupação comercial maior que a da CBO.

“Mostramos que juntando o ‘melhor dos mundos’, se a gente melhorar, caminhar na direção de ter a eficiência operacional dela [CBO] e se a frota dela caminhar em ter a ocupação comercial da nossa [frota], vamos trazer muitas melhorias, muitas vantagens para o acionista”, afirmou Andrade em entrevista à Portos e Navios.

Com a fusão anunciada no final de fevereiro, os acionistas atuais da CBO vão se tornar acionistas da OceanPact, que seguirá sendo uma companhia listada na bolsa. Segundo Andrade, esse movimento era aguardado pelo mercado porque a CBO pertence a fundos de investimento (Private Equity). Da mesma forma, ele relata a expectativa quanto à consolidação da OceanPact no mercado após o IPO, em 2021. O primeiro movimento ocorreu com a aquisição da UP Offshore.

O executivo disse que é preciso ter um alinhamento muito grande de fatores para que uma operação desse tipo dê certo. “As relações entre as avaliações, o momento de cada companhia, as forças do nosso mercado de embarcações, como é que estão as taxas diárias, as alavancagens das companhias (…) Tudo isso tem que estar numa situação que permita com que a operação seja um ‘ganha-ganha’ verdadeiro. Isso chegou e a gente aproveitou a oportunidade”, acredita.

Se confirmada a fusão, a companhia deve continuar a se chamar OceanPact, que é a empresa listada, sendo que o segmento de navegação, que hoje não tem um nome específico, passaria a se chamar ‘OceanPact CBO’. Já as subsidiárias Oceanpact Geo (Geociência) e Oceanpact Log (Logística), por exemplo, não sofreriam alterações de nomenclatura. O CEO da OceanPact ressaltou que, dos 73 navios da frota combinada, a CBO construiu 31 em estaleiros próprios do grupo, enquanto a OceanPact encomendou a construção de duas embarcações no estaleiro da Wilson Sons, no Guarujá (SP).

“Nossa primeira missão é ocupar bem e operar bem essa frota. Claro que, se aparecer oportunidade interessante de construção com taxas que a gente considere adequadas e embarcações do tipo que a gente considere que têm um futuro interessante, vamos analisar e podemos participar, mas não é o foco imediato. O foco imediato é operar bem essa segunda maior frota de apoio marítimo do país”, afirmou.

Ele considera que as duas empresas vêm de bons momentos, após a recuperação das taxas diárias que ficaram muito baixas entre 2016 e 2020, e vêm se recuperando desde então. Além disso, as companhias vêm reduzindo seus endividamentos, o que também contribuiu para a fusão. Dados do 3º trimestre passado indicaram endividamento combinado de 2.6 vezes Ebitda.

Com a expansão da frota, a empresa mira a ampliação dos serviços na área de meio ambiente, segurança operacional, subsea, inspeção, manutenção e reparos. “Achamos que com a frota maior a gente consegue oferecer mais serviços porque temos acesso a mais embarcações e a embarcações maiores. Vemos uma tendência da Petrobras contratar serviços. Ela tem falado isso nas calls dela com os fornecedores e tem feito isso de fato”, analisou.

Uma das oportunidades está no descomissionamento, segmento para o qual a OceanPact tem um contrato em andamento no Sudeste para execução do serviço na boia de Congro. “Participamos de qualquer licitação que haja no Brasil nesse segmento, especialmente o subsea, mas também quaisquer outros que achemos interessante”, disse Andrade.

Fonte: Revista Portos e Navios