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Clippings - 05/10/16

FSO sem uso está afretado há mais de três anos

O FSO afretado pela Petrobras para compor a UOTE – terminal offshore de transferência de óleo que seria instalado na Bacia de Campos – está há mais três anos afretado sem que a petroleira dê um destino para o navio. Atualmente, a companhia está avaliando se utiliza o FSO e os equipamentos da UOTE em outro projeto ou se põe os ativos à venda.

O FSO é da Omni Offshore que contratou o estaleiro SHG, em Shanhaiguan, na China, para converter o VLCC Northern Jewel. De acordo com dados de movimentação do navio, o FSO permanece no estaleiro desde a conclusão das obras em julho de 2013 – a Petrobras não informou se vai deslocar a embarcação para o Brasil ou outra região.

Procurada, a petroleira afirmou que “está finalizando a avaliação sobre a destinação mais apropriada dos materiais e equipamentos da UOTE, seja em processo de oferta ao mercado, seja na utilização em outros projetos da companhia”.

Além do FSO, foram contratadas, concluídas e não entregues duas monoboias e seus sistemas de ancoragem e conexão (mangotes), fechadas com a Blue Water Energy Services, por US$ 95 milhões. O sistema submarino (tubos e PLETs), além da a instalação e gestão do projeto, ficou com a Subsea 7, por R$ 359 milhões.

O contrato do FSO, executado na forma de taxa diária de afretamento, foi fechado por 25 anos, no valor total de US$ 555 milhões. O custo total, contudo, é maior, pois a Petrobras ainda precisou pagar pela preservação e pela apólices de seguro do navio.

A UOTE saiu definitivamente dos planos da petroleira em 2015, quando a companhia desistiu do projeto, o que culminou em uma baixa contábil de US$ 198 milhões no balanço do segundo trimestre, anunciado em agosto daquele ano.

O terminal era um projeto firme do plano de negócios 2012-2016 da Petrobras, sob coordenação do Abastecimento – à época, comandado pelo ex-diretor Roberto Costa. Já em 2012, o projeto tinha todos os seus itens críticos contratados e orçamento garantido pela Petrobras.

No perãodo de pouco mais de um ano que o FSO levou para ser convertido, contudo, o projeto começou a dar sinais de que não iria adiante. O licenciamento ambiental do empreendimento demorou mais que o esperado, e a Petrobras não corrigiu a estrutura de controle do terminal, que, por exigência da Lei do Petróleo, não poderia ser um ativo da Transpetro, como definido originalmente.

O desenho do terminal previa a conexão do FSO UOTE-1 às duas monoboias fornecidas pela Blue Water, interligadas pelo sistema submarino contratado à Subsea 7. Originalmente, a ideia era aumentar a capacidade de movimentação de petróleo da Bacia de Campos e do pré-sal de Santos. Além das dificuldades, o terminal perdeu sentido com os sucessivos cortes na curva futura de óleo da Petrobras.