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Clippings - 12/04/23

Fugro aposta em operações remotas e navios autônomos como estratégia de descarbonização para o O&G

Felipe Vasconcellos, Deputy Country Manager (DPC) da Fugro Brasil Marine

Com planos de neutralizar suas emissões até 2035, a Fugro traçou uma nova estratégia global de atuação. O óleo e gás, que já responde por menos da metade das receitas da companhia holandesa, terá uma abordagem cada vez mais alinhada com as ambições das petroleiras em alcançar o net zero.

De acordo com o Felipe Vasconcellos, Deputy Country Manager (DPC) da Fugro Brasil Marine, o objetivo é tornar a produção de petróleo “mais limpa”. Por isso, aposta parte de suas fichas nas operações remotas de ROV e navios autônomos para reduzir a pegada de carbono por cada barril produzido.

Recentemente, a Fugro concluiu a primeira inspeção submarina remota no Brasil. Um ROV foi pilotado em um centro de operações em Aberdeen, na Escócia. A segunda etapa do projeto está sendo negociada com a Petrobras. Mas, desta vez, utilizando a tecnologia satelital.

Navio autônomo Blue Essence

Para 2024, a Fugro pretende trazer um navio autônomo (Blue Essence) para o país. A ideia é utilizá-lo como alternativa para operações de mergulho raso e inspeções. Atualmente, a companhia detém uma frota de três embarcações não tripuladas – Blue Essence com eROV (Blue Volta). Elas já operam em águas do Mar do Norte, do Oriente Médio e da Austrália.

“Estamos negociando o nosso primeiro projeto-piloto no Brasil”, garantiu o executivo. Segundo ele, a ideia é disseminar a tecnologia no país. “Com 12 a 18 metros, os navios não têm tripulação e consomem menos combustível. Não tem embarque e desembarque de pessoas, o que também colabora com a redução das emissões de carbono e atendem a todos os padrões de SMS dos clientes”, acrescenta.

Expansão do mercado brasileiro

Com atuação nas áreas de geotecnia, posicionamento remoto, levantamentos meteoceanográficos, ROV e ferramentas especiais, a Fugro atua em diversas etapas da cadeia produtiva do petróleo e gás – exploração, construção submarina e inspeção, manutenção e reparo (IMR) -, com 15 ROVs contratados no Brasil.

O IMR responde pela maior parte das receitas obtidas pela companhia no Brasil. Em seguida, vem o posicionamento remoto, levantamentos meteoceanográficos e ROV em sondas.

Nos próximos anos, a Fugro pretende retomar as atividades de geotecnia no país, interrompidas pela crise que abateu o setor em 2015. “Vamos converter duas embarcações que adquirimos em âmbito global para prestar serviços nessa área [de geotecnia], aumentando a disponibilidade de recursos. Estamos na reta final do desenvolvimento da solução Blue Dragon, que vai tornar a coleta de amostras e dados muito mais eficiente”, revelou Vasconcellos.

Sobre as oportunidades de negócios com as petroleiras independentes, o executivo da Fugro disse que a entrada delas dinamizou o mercado. “Estamos vendo muita procura no mercado spot. Com as independentes, abriu-se uma nova fronteira, a de projetos mais curtos. Mas ainda precisa ganhar tração”, comentou.

Para além do óleo e gás, a Fugro pretende utilizar as soluções remotas e autônomas para apoiar os projetos de geração de energia eólica offshore no Brasil.  “Queremos ajudar a abrir essa nova fronteira no Brasil e, nossa história no país, aliada à nossa experiência global em energia eólica offshore, nos torna especialmente
preparados para o desafio”, concluiu.

Fonte: Revista Brasil Energia