São PAULO – O ano começou com uma movimentação de saída de fundos de investimento de companhias brasileiras. Só ontem, três fundos anunciaram na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) sua retirada do capital das empresas.
A maior transação deverá ser realizada pelo Fundo de Investimento em Participações PDG I, através do fundo FIP PDG I, na própria PDG Realty Empreendimentos e Participações.
O fundo registrou na Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) o pedido de análise prévia de uma Oferta Pública de Distribuição Secundária das ações, em uma operação que pode chegar a R$ 1,937 bilhão.
Este montante foi calculado de acordo com a cotação de fechamento de R$ 17,35 por ações da companhia no pregão do dia 30 de dezembro de 2009, da Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros (BM&F Bovespa).
Vale destacar que o preço final da ação na oferta pública será calculado após o habitual processo de bookbuilding (consulta aos interessados). A oferta compreende um lote principal de 97 milhões de ações, com um lote suplementar de 14,56 milhões.
O fundo PDG 1 detém 28,64% do capital social da PDG Realty e, por meio dessa operação, deve repassar toda sua a participação na empresa para o mercado, diluindo o capital da companhia.
A operação já vinha sendo planejada com a recente venda do Banco UBS Pactual pelo UBS A. G., quando foi estabelecido que os Fundos PCP não seriam utilizados para realizar novos investimentos, passando a estratégia de gestão e de liquidez nos atuais ativos que compõem a carteira.
Esta foi uma movimentação normal no mercado. Isso faz parte de estratégia do Banco UBS Pactual, em rever seus investimentos, explica José Góes, economista da WinTrade, home broker da Alpes Corretora de Valores.
A segunda operação envolve ABnote, empresa especializada em fornecimento de soluções envolvendo cartões plásticos, em que foi comunicada sobre a saída da ABN Equities dos 32,8% do capital da ABnote que detinha.
Com a operação, o capital da ABnote ficou dividido em 8,5% para a GAS Investimentos, 6,6% para a AIM Advisors e 5,5% com a Rio Bravo, totalizando 20,6%. Os 12,2% restantes foram divididos em acionistas com participação abaixo dos 5%, por isso, não foram divulgados os nomes dos demais investidores da companhia.
A empresa afirma que em 23 de dezembro de 2009, os 8 principais acionistas representam 40,24% da totalidade das ações da companhia, com participação não superior a 8,5% e não inferior a 2,8%, diz o comunicado.
No caso da ABnote, as alterações são positivas. As vezes é bom ter um capital diluído, ao invés de ter tudo na mão de um único acionista. Quando se tem mais acionistas, se tem mais ideias para mudanças, afirma Góes.
Não vejo nenhuma relação forte entre as mudanças que ocorreram nas empresas, e sim, um movimento natural de mercado, quando os fundos de investimento voltam a rever sua posição acionária, acrescenta Góes.
Por fim, a Equatorial Energia comunicou que foi celebrado o Contrato de Compra e Venda de Ações entre seu controlador Fundo de Investimento em Participações PCP e a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig).
Com isso, ocorrerá a alienação da participação indireta do FIP PCP na Light. Segundo comunicado divulgado, os acionistas da Rio Minas Energia Participações (RME) pretendem realizar uma cisão desproporcional.
Com a operação, parte das ações da Light que antes eram pertencentes a RME, será transferida para a Cemig, a Andrade Gutierrez Concessões e a Luce Empreendimentos.
A Cemig passará a deter 99,99% das ações de emissão da RME e a participação detida pela RME na Light passará a representar 13,03% do capital votante da empresa, que consiste em 26.576.149 ações ordinárias.
O preço a ser pago por ações da Newco (nova denominação da companhia) equivalerá ao valor das ações do capital da Light. Para efeitos do contrato, foi atribuído um valor de R$ 29,53 por ação, que corresponde a um montante de R$ 785 milhões para a participação acionária que a Newco terá indiretamente na Light.
A Light também representa uma alteração de sócios de um fundo, correspondendo a mudança na participação, diz Góes.