A fusão entre a Technip e a FMC Technologies, anunciada nesta quinta-feira (19/5), confirma as previsões de que o mercado de óleo e gás se tornaria mais concentrado durante a baixa do preço do barril de petróleo. De acordo com um levantamento da Rystad Energy, em 2015 a Technip era a quinta maior prestadora de serviços do setor em termos de faturamento, enquanto a FMC ocupava a nona posição no ranking. O valor de mercado da nova empresa, a TechnipFMC, é estimado em US$ 13 bilhões.
“O cenário do mercado de serviços mudou radicalmente durante a baixa na indústria de petróleo. A concentração está aumentando, enquanto as companhias sentem os benefícios e prejuízos de ganhar parcelas de mercado”, afirma a Rystad.
Uma fornecedora que vem explorando o o momento no setor para se expandir é a Schlumberger, que comprou a Cameron por US$ 14,4 bilhões. A companhia trabalha atualmente em outras cinco aquisições: Meta Downhole, Novatek IP, Fluid Inclusion Technologies, além da consultoria Adil e da unidade de Coiled Tubing para perfuração da Xtreme. A Schlumberger chegou também a anunciar a compra da Eurasia Drilling Company (EDC), empresa russa de perfuração e serviços de poços, mas desistiu antes do prazo para a confirmação da transação.
No ano passado, a Siemens anunciou a aquisição da fabricante de compressores americano Dresser Rand e da divisão de turbinas da Rolls-Royce, em um investimento total da ordem de US$ 8 bilhões. Além disso, a GE tambéma norueguesa Advantec, fornecedora de equipamentos e serviços subsea. Já no Brasil, a Vallourec pretende concluir a fusão das empresas Vallourec Tubos do Brasil e VSB ainda este ano, operação já aprovada pelo Cade.
Apesar do grande número de acordos, estimativas da Evaluate Energy indicam que os gastos em operações de fusão e aquisição no setor de óleo e gás em 2015 ficaram em US$ 163 bilhões, uma redução de 4% em relação a 2014 e aumento de 10% ante 2013. A consultoria acredita que muitas empresas do setor deixaram de lado estratégia de expansão para focar na sua sobrevivência durante 2015. “Planos de grandes aquisições corporativas foram freados pelos conselhos de administração das companhias”, afirmou a consultoria.
Outro entrave às fusões e aquisições é a aprovação dos órgãos antitruste. A dificuldade em conseguir o aval de órgãos regula levou ao cancelamento da fusão entre a Halliburton e a Baker Hughes, anunciada em novembro de 2014, pelo valor de US$ 34,6 bilhões. De acordo com o Departamento de Justiça dos EUA (DOJ), o acordo entre duas das três maiores companhias de serviços no país eliminaria a competição no mercado de 23 produtos e serviços aplicados nas atividades de exploração e produção.
A fusão mais emblemática no setor, contudo, ocorreu entre duas petroleiras. A operação entre a Shell e a BG foi concluída em fevereiro pelo preço final de US$ 54 bilhões. Outras petroleiras que aproveitaram a baixa para adquirir companhias foram a espanhola Repsol, que comprou a Talisman Energy, e a inglesa Premier Oil, que, com a compra do Epuk Group por US$ 135 milhões, passará a deter os ativos da E.ON Energy no Reino Unido, o que deve adicionar mais 17 mil boe/dia à sua produção.