Ganhos de escala, participação em alianças comerciais, aumento da capacidade e posicionamento estratégico impulsionam as grandes aquisições no mercado de navegação
Os tão discutidos planos fusão entre a China Shipping e a Cosco foram finalmente aprovados pelo governo chinês. O novo grupo, China Cosco Shipping Group, com sede em Xangai, atuará em todos os segmentos de navegação, liderado pelo atual presidente da China Shipping, Xu Lirong (antigo executivo da Cosco). Com base nos dados atuais da frota existente, a área de contêineres da nova empresa compreenderia 292 navios, ou 1.550.000 Teus, sem contar os outros 36 navios encomendados, que representariam 566 mil Teus adicionais), o que a tornaria a quarta linha mundial em transporte de contêineres, logo atrás da CMA CGM (com ou sem a participação da APL).
Nesta semana, acompanhamos no Guia Marítimo News a finalização da proposta de compra da NOL pela CMA CGM, que ofereceu 1.30 dólares de Cingapura por ação da NOL/APL à vista, o equivalente a USD 2,4 bilhões pela empresa toda, proposta aceita pelo principal acionista da empresa, fundo Temasek, que detém 67% da NOL. A oferta foi cerca de 6% acima da última avaliação, ou 49% acima do valor mencionado em meados de julho.
A venda será finalizada em 2016, desde que a transação seja aprovada pelas autoridades reguladoras antitruste, algo de que nem todo o mercado está convencido ainda. Caso a CMA CGM chegue a 90%, planeja-se a retirada da oferta. Como a compra implicará no aumento da dívida da CMA CGM em US$ 5 bilhões (2,4 bilhões provenientes da própria compra da NOL e mais os prejuízos já reportados de 2,6 bilhões), a intenção da empresa francesa é desfazer-se de bens no valor de US$ 1 bilhão no perãodo de 18 a 24 meses.
Alinhada com a estratégia multimarcas com que vem trabalhando, a CMA CGM declarou que pretende manter o nome da APL. No entanto, planeja finalizar a aliança G6 da NOL, para tronar-se um membro da Ocean Three. De acordo com as regras do G6, o desligamento não deve ocorrer até que se complete o perãodo mínimo da conclusão da aquisição. Até lá, China Shipping (Ocean Three) e Cosco (CKYHE) já terão concluído a sua fusão, e a nova instituição terá se decidido por uma aliança. Especula-se que o novo grupo chinês deverá preferir a totalmente asiática CKYHE Alliance, deixando, portanto, a Ocean Three.
Em reconhecimento à importância de Cingapura como o maior hub do mundo, a CMA CGM vai estabelecer a sua matriz para o sudeste asiático em Lion City, em detrimento de Port Kelang, que é hoje o hub preferencial da companhia na região. Em épocas de tempestade, tais como tem enfrentado o mercado de navegação ultimamente, ganhos de escala são mais importantes do que nunca, foi a posição da CMA CGM durante o perãodo de negociações. A compra da empresa francesa pode se desdobrar como a maior aquisição da história, em termos de impacto, embora a compra da Sea-Land pela Maersk Line tenha sido, talvez, mais substancial, aumentando a capacidade da compradora em 55%.
Alguns anos depois, foi a vez da compra da P&O Nedlloyd, que acrescentou 42% da capacidade às operações da Maersk. A maior compra de todos os tempos, em termos de aumento do tamanho da frota por meio da junção (102%) foi provavelmente quando a Hapag-Lloyd adquiriu a CP Ships no final de 2005. A frota da APL vai representar 30% de expansão sobre a capacidade da CMA CGM.
É possível acessar o relatório completo da DynaLiners Weekly (por meio de senha).