
A Galp registrou prejuízo líquido de € 35 milhões no quarto trimestre do ano passado, uma redução de 66% ante as perdas do trimestre anterior (€ 106 milhões). Ao todo, durante o ano de 2020, a companhia reportou um prejuízo de € 551 milhões, ante o lucro de € 389 milhões visto em 2019.
A Galp terminou o ano seguindo a sua estratégia de aumentar os investimentos em renováveis e diminuir a participação no setor de óleo e gás, como já mostrado pela portuguesa no relatório do terceiro trimestre.
No quarto trimestre, os investimentos na área de Renováveis & Novos Negócios foram maiores do que os aportes no upstream. Dos € 898 milhões investidos pela companhia em 2020, 39% foram para a área de Renováveis & Novos Negócios, enquanto 36% foram destinados ao upstream.
Destaque para a aquisição de um portfólio fotovoltaico na Espanha que aumentou a capacidade instalada de geração renovável da Galp de 12 MW para 926 MW (contando com um parque eólico de 12 MW). A transação, avaliada em € 325 milhões, prevê a constituição de uma joint venture com o grupo espanhol ACS, no qual a Galp terá 75,01% de participação e o grupo 24,99%.
Em relação ao upstream, a portuguesa afirma que o investimento esteve, sobretudo, relacionado à execução dos projetos no BM-S-11/11A (área que compreende os campos de Sururu, Oeste de Atapu e Berbigão, onde detém 10% de participação) e no campo de Bacalhau (possui parcela de 20%), todos localizados na Bacia de Santos, assim como outros projetos na Área 4, em Moçambique.
No tópico desinvestimentos, a Galp cita a venda de 75% de sua participação na Galp Gás Natural Distribuição (GGND) para a Allianz Capital Partners em outubro de 2020, mantendo uma parcela minoritária de 2,49% na GGND. A conclusão da transação, avaliada em € 368 milhões, está prevista para este trimestre.
A companhia também decidiu fechar a refinaria de Matosinhos a partir deste ano, mantendo apenas as atividades de importação, armazenamento e distribuição na unidade, com o objetivo de se concentrar no complexo de Sines. A decisão foi motivada pela baixa demanda por produtos petrolíferos em Portugal, em virtude do contexto regulatório europeu e, também, dos efeitos decorrentes da pandemia.
Para 2021, a Galp espera uma produção entre 125 a 135 mil boe/dia, considerando o preço do Brent em US$ 50. Os volumes estão alinhados com a média de 2020, de 130 mil boe/dia. Já a faixa de investimentos para este ano foi delimitada entre € 0,5 a 0,7 bilhões, considerando os desinvestimentos.
Por fim, a companhia afirma que enviará uma proposta em abril deste ano à Assembleia Geral de Acionistas, sobre um dividendo por ação no valor de € 0,35/ação, relativo ao exercício de 2020, a ser pago em maio. A medida é uma redução de 50% face ao dividendo do ano anterior, “refletindo os impactos resultantes das condições adversas de mercado”, explica a Galp no relatório.
Fonte: Revista Brasil Energia