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Clippings - 08/05/24

Ganho da União é limitado pela escassez de navios aliviadores

Os leilões da PPSA para vender o óleo dos contratos de partilha tendem a atrair apenas as grandes petrolíferas que contam com suas próprias infraestruturas. A tendência é de uma competitividade limitada. A perspectiva é de um gargalo no acesso aos navios já em 2027.

A produção de óleo da União vai chegar a pelo menos 500 mil barris por dia em 2029, nos campos regidos por contratos de partilha. Ela será dez vezes maior do que a atual. Mas, com a ausência de navios aliviadores no mercado brasileiro para escoar esse óleo, os ganhos do governo com o pré-sal podem ficar comprometidos. A Pré-Sal Petróleo SA (PPSA) enxerga um gargalo na infraestrutura já a partir de 2027.

“Se a produção chegasse a 500 mil barris por dia (bpd) hoje, não haveria infraestrutura suficiente. Hoje, com a produção da PPSA, o mercado absorve. O problema é o futuro. A partir de 2027, a gente já vê um gargalo de verdade”, afirmou a presidente interina da PPSA, Tabita Loureiro.

Existem cerca de 50 navios aliviadores operando no mercado brasileiro atualmente, contratados por 10 anos, em média, por petrolíferas de grande porte. Com isso, apenas elas têm condição de participar dos leilões de venda do óleo da União. A tendência, portanto, é que apenas essas empresas, principalmente as sócias da PPSA nos campos do pré-sal, participem das concorrências do óleo da União.

As refinarias, por exemplo, que são potenciais compradoras, tendem a ficar de fora das concorrências de longo prazo. No ano passado, a refinaria Acelen chegou a vencer a disputa por uma carga menor, comercializada no mercado de curto prazo.

Para as grandes petrolíferas, o negócio é especialmente positivo porque, ao comprar o óleo da União, elas conseguem aproveitar suas próprias infraestruturas e encher os navios aliviadores, que atualmente estão com capacidade ociosa, mais rapidamente. Assim, ficam mais disponíveis a aproveitar as janelas de oportunidade do mercado internacional.

Em julho deste ano, a PPSA vai realizar uma concorrência para ofertar a produção de 2025. Em abril do ano que vem, será a vez de disponibilizar os volumes de 2026. E, por conta da preocupação com os navios aliviadores, a PPSA vai antecipar a venda do óleo de 2027 já para o ano que vem.

Quanto maior o intervalo entre os leilões e a produção, maior o risco do negócio, menor são os valores pagos pelas petrolíferas e, como consequência, menor é o ganho da União.

O cenário fica ainda mais preocupante à medida que os custos dos projetos caem e a parcela de óleo da União na produção sobe. Isso porque o cálculo do quanto deve ser repassado ao governo é influenciado pelos investimentos. À medida que os custos diminuem, aumenta o lucro com cada campo e o repasse para a PPSA. Esse é um dos motivos do crescimento exponencial da sua produção em apenas cinco anos.

Os contratos de partilha respondem, atualmente, por 29% da produção brasileira, relativos a 1 milhão de bpd. A perspectiva é chegar a 2 milhões de bpd em 2029, com o avanço, principalmente, de Búzios, Mero e Bacalhau. Na próxima década ainda terão as segundas fases de Atapu e Sépia.

Esse aquecimento acontece em todo mercado interno, não só com a PPSA, o que impulsiona ainda mais a contratação de infraestrutura de apoio. A estimativa é de que serão necessários ao menos mais 12 embarcações do tipo para atender a demanda interna.

Uma alternativa seria partir para os navios do tipo CTV, que funcionam como intermediadores entre o FPSO e navios de grande porte que receberiam as cargas. Mas, além da falta de disponibilidade, o afretamento é caro, variando de US$ 1 a US$ 2 por barril.

Esse aquecimento da demanda, no entanto, não deve favorecer a indústria naval brasileira, porque os aliviadores são tradicionalmente contratados pelas petrolíferas na Ásia.

Fonte: Revista Brasil Energia