
Operadora do terminal de regaseificação da Baía de Todos os Santos, na Bahia, arrendado da Petrobras, a Excelerate Energy quer permanecer no Brasil, ainda que o acordo de arrendamento com a estatal não seja renovado no fim deste ano. O contrato expira no dia 31 de dezembro e, dependendo do que for definido com o Cade sobre a dimensão da presença da Petrobras no mercado interno de gás, poderá não ser renovado.
Vice-presidente para a América Latina e gerente geral na Argentina da Excelerate, Gabriela Aguilar diz que mantém conversas com a Petrobras e também com outros agentes de mercado, não só na Bahia. A possibilidade de renovação do contrato é uma incógnita, já que está diretamente ligado às discussões da estatal com o Cade sobre o Termo de Compromisso de Cessação (TCC).
Até então, estava certo que a Petrobras iria recuar no mercado, como havia sido definido pela administração da empresa nos governos dos ex-presidentes Michel Temer e Jair Bolsonaro com o órgão antitruste. Mas, com a entrada de Luiz Inácio Lula da Silva na presidência da República, o tema ganhou outro contorno e as discussões sobre a retomada dos ativos de gás da estatal mudaram. Atualmente, a empresa expõe a vontade de voltar a ocupar posições estratégicas no setor de energia, como no segmento de gás.
A Excelerate fechou o contrato de arrendamento com a Petrobras em 2021, em meio a uma crise hídrica de proporções históricas. Na época, a estatal direcionou o seu foco ao atendimento do mercado livre, rompendo o fornecimento a distribuidoras estaduais do Nordeste.
A companhia, hoje, mantém, na Bahia, uma unidade flutuante de armazenamento e regaseificação (FSRU) conectada ao terminal e à infraestrutura de escoamento do gás à rede. Além disso, compra ela própria carregamentos de GNL para fornecer no mercado interno.
Aguillar diz saber que existe um compromisso do governo em estimular o investimento privado no setor e que, pela sua flexibilidade, independente da existência de uma infraestrutura de transporte, o produto liquefeito é essencial à segurança do abastecimento do país.
“Estamos avaliando projetos. Temos a expectativa de continuar no mercado brasileiro, que, em primeiro lugar, tem continuidade, não somente por conta da demanda, que é bem grande. Mas, principalmente, pela necessidade de serviços de GNL”, afirmou a executiva.
Ela ressalta que mesmo diante da perspectiva de um choque de oferta de gás no país, o GNL tem a flexibilidade a seu favor e que a condição de escassez do produto boliviano, importado pelo Brasil, tende a se aprofundar, o que abre uma lacuna para que outros fornecedores ocupem espaço nesse mercado.
Neste mês, a norueguesa Equinor anunciou o investimento em um supercampo de gás no pré-sal da Bacia de Campos, o BM-C-33. Além disso, a Petrobras está próxima de concluir um gasoduto que trará outra carga de gás do pré-sal até a costa fluminense, a Rota 3. Juntos, os dois projetos responderão por uma expansão da oferta e, portanto, de conquistas de mercado.
A visão da Excelerate, no entanto, é que essa é uma boa notícia e que ela não compromete a presença da companhia no Brasil. A avaliação é de que os picos de demanda por gás, quando os reservatórios das hidrelétricas estão baixos, são praticamente imprevisíveis e, nesse cenário, a flexibilidade de transporte do GNL é imprescindível.
“Não se pode desenvolver uma infraestrutura (de transporte de gás) para momentos muito específicos da demanda, pensando nas necessidades de pico. Aí está o valor do GNL, para complementar a produção interna. Os mercados têm que buscar a equação ótima, mais eficiente e de menor custo. Seja com produção local, seja com consumo de GNL específico”, argumenta Aguilar.
Uma das alternativas em fase de análise pela Excelerate é a entrada no mercado de fornecimento e transporte de gás em pequena escala para regiões, sobretudo do interior do país, onde ainda não há infraestrutura instalada que possibilite a entrega do gás via rede. Os estudos da empresa consideram a viabilidade econômica do projeto. Mas Aguilar antecipa que a chance de ser viável é grande, já que boa parcela da população ainda depende da geração elétrica a óleo diesel, de alta emissão de carbono, para ter acesso à energia.
Fonte: Revista Brasil Energia