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Clippings - 12/07/10

Gas Natural Fenosa investe R$ 1 bi no país

A espanhola Gas Natural Fenosa poderá integralizar os ativos que detém no mercado brasileiro debaixo de uma holding, a Gas Natural Fenosa Brasil. Hoje o grupo participa das distribuidoras de gás que controla no Rio e em São Paulo diretamente via matriz e por meio da Gas Natural Internacional. A integralização das participações no Brasil em uma holding deve significar vantagens na hora de contratar empréstimos ou de emitir bônus. Também é uma porta para uma eventual abertura de capital no futuro. E faz todo sentido dentro de uma estratégia de crescimento que tem o Brasil como um dos mercados prioritários fora da Espanha nos próximos cinco anos.

O grupo, considerado por publicações especializadas na área de energia como o primeiro do mundo em distribuição de gás, concluiu o plano estratégico de negócios para o perãodo 2010-2014 e poderá anunciá-lo na Espanha ainda este mês. É um plano de expansão, de crescimento e de investimento, diz Sergio Aranda, diretor da Gas Natural Fenosa para a América Latina. No Brasil, o investimento nas concessionárias – CEG, CEG Rio e Gas Natural São Paulo Sul – será de R$ 1 bilhão entre 2010 e 2014. Esse é o piso, mas pode ser mais, diz Aranda.

Mas a expectativa é de que o maior crescimento no mercado brasileiro venha de investimentos em novos projetos, o que inclui os setores de distribuição de gás natural, no qual a Gas Natural tem experiência, e de geração de energia elétrica, segmento em que a Unión Fenosa aportou conhecimento após a fusão dos dois grupos, em 2008. A Gas Natural comprou a Fenosa por € 18 bilhões há dois anos, logo antes de que eclodisse a crise financeira mundial, em setembro de 2008. Os gastos do grupo em novos negócios e aquisições no Brasil vão ser limitados, segundo Aranda, pela seleção das melhores oportunidades.

Há planos de participar dos leilões de energia promovidos pelo governo para tentar fechar contratos de geração térmica a gás e de pequenas centrais hidrelétricas (PCHs). O governo, porém, deve dar prioridade a leilões de usinas de energia alternativa ou de hidrelétricas e engavetar projetos termelétricos, conforme o Valor noticiou ontem. Aranda diz que o grupo está muito otimista com o Brasil, mercado que, segundo ele, deve crescer de forma relevante e diferenciada nos próximos anos.

O Brasil representava cerca de 8% dos resultados da Gas Natural antes da fusão com a Fenosa. Depois da união, essa participação caiu para cerca de 5% uma vez que a Fenosa não tinha negócios no mercado brasileiro, mas era muito forte em outros países. O grupo considera que pelo tamanho, pelo potencial e importância 5% de participação do Brasil no resultado [da companhia] é pouco para o que poderia ser. No Brasil, o grupo tem cerca de 800 mil clientes na área de distribuição de gás natural. Segundo Aranda, a ideia é crescer mais fora da Espanha, país que foi muito afetado pela crise econômica e financeira na Europa. Em 2009, a crise reduziu o consumo de gás natural e energia elétrica no mercado espanhol, mas neste ano surgiram sinais de recuperação.

Aranda diz que o grupo foi menos afetado com a crise e mostrou que tem ativos e boa gestão para superar a tempestade. Na Espanha haverá oportunidades, mas serão menores do que na área internacional e, em especial, na América Latina. A Gás Natural Fenosa está presente em dez países latino-americanos, os quais participam juntos com cerca de 20% do resultado do conglomerado.

Sobre a futura integralização dos ativos em uma holding, o executivo diz: Essa é uma possibilidade que existe e vamos considerá-la na medida em que ela seja uma solução para investimentos no futuro. Ele afirma que em algum momento essa integralização será feita porque pode trazer ganhos para os investimentos no país. Mas alerta: Ainda não tem data para ocorrer. O tema terá de passar por uma análise interna no grupo e ser submetida aos sócios das Gas Natural Fenosa na CEG, que tem a concessão para distribuição de gás no Rio, e na CEG Rio, que distribui gás no interior do Estado. Na CEG, os espanhóis tem como sócios BNDESPar, Dinâmica Energia e Pluspetrol. Na CEG Rio, os sócios são Petrobras e Pluspetrol. A Gas Natural São Paulo Sul é controlada em 100% pelo grupo.

Planejamento do setor tem taxa de insucesso de 50%

A diferença entre o que é planejado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) para a expansão da oferta de energia hidráulica e o que é efetivamente realizado tem ficado muito aquém das expectativas do planejador do setor. Desde 2006, quando os planos decenais de expansão (PDE) começaram a ser feitos, o índice de usinas que efetivamente tiveram sua energia leiloada ou que entraram em operação comercial responde, em média, por apenas 50% do que foi planejado. A maior parte delas esbarrou em licenciamento ambiental e assim o que foi planejado para um ano só pode ser leiloado anos depois.

A alternativa para essa taxa de insucesso ao longo dos anos foi a de leiloar energia de usinas termelétricas – mais caras para o consumidor, mas mais fáceis de serem executadas em curto espaço de tempo e com grande interesse de empreendedores que obtém boas taxas de retorno nesses investimentos. Com essa fórmula, diversos investidores foram atraídos para projetos de termelétricas.

Mas muitos projetos bilionários de usinas que foram sendo elaborados nos últimos anos e que só agora estão prontos para irem a leilão vão ficar guardados na gaveta, como mostrou ontem reportagem do Valor. Isso porque o governo tem feito todos os esforços para que as hidrelétricas saiam do papel, já que são mais baratas para o consumidor. E desde 2006, a taxa de insucesso vem progressivamente reduzindo, com mais e mais hidrelétricas sendo leiloadas.

Argumentos, entretanto, não faltam para pressionar o governo em relação às térmicas. Vão desde a necessidade de se ter segurança do suprimento de energia até ao fato de que as novas hidrelétricas são construídas com reservatórios muito menores, são as chamadas usinas a fio d’água. As térmicas são sempre necessárias e vão ser cada vez mais necessárias, diz o presidente da Associação dos Autoprodutores, Mário Menel.

O presidente da EPE, Maurício Tolmasquim, admite que o plano que é traçado para a expansão é apenas indicativo e não determinativo do que vai de fato acontecer. De qualquer forma, ele ressalta que as licenças ambientais de projetos hidrelétricos estão saindo do papel desde o leilão das usinas do Madeira. É claro que eventualmente poderemos ter que leiloar uma ou outra térmica, mas a prioridade é retomar o equilíbrio da matriz energética.

A consultora da Gas Energy, Sylvie D’Apote, lembra entretanto que o pré-sal deve produzir muito gás natural e por isso acredita que as térmicas que usam esse combustível serão úteis ao governo. Ela diz que o PDE atual estabeleceu um custo para a energia de R$ 113 o MWh e é por isso que as térmicas ficam de fora desse planejamento.

Kaioa Gomes, um dos executivos do fundo Energia PCH, que tem um projeto de 440 MW de termelétrica a carvão em Santa Catarina, diz que hoje negocia a venda de pelo menos parte da energia para autoprodutores. Os retornos são melhores com a venda da energia nos leilões do governo, diz Gomes. Tanto o fundo Energia PCH quanto a Hidrotermica, que tem projeto no Rio Grande do Sul, tentam argumentar que o Sul do país precisa de mais segurança.

Em evento ontem, o presidente da EPE disse entretanto que apenas se houver uma necessidade enorme será aberta a possibilidade de construção de termelétricas no sul do país.