As ações preferenciais da Gerdau chegaram às maiores altas do Ibovespa ontem, enquanto as da Usiminas ficaram na parte negativa do índice após a divulgação do resultado do segundo trimestre da siderúrgica mineira. As exportações são a melhor saída vista pela Usiminas para compensar a esperada queda no volume de vendas no Brasil durante o terceiro trimestre, na comparação com os três meses anteriores, e estar posicionada no exterior pode render à Gerdau importante vantagem.
Nesse cenário, as ações PNA da Usiminas encerraram o pregão com queda de 2,24%, cotadas a R$ 7,85, enquanto as ações PN da Gerdau avançaram 3,25%, para R$ 13,67. Para Daniela Martins, analista da Concórdia, os investidores podem ter decidido trocar os papéis no setor. “O balanço de Usiminas não veio bem e a CSN deve a seguir a mesma tendência. Para a Gerdau, por outro lado, a expectativa é bem melhor”, explica. A analista destaca a vantagem de a Gerdau estar posicionada em mercados internacionais. “Quase metade do faturamento vem do exterior. A unidade de aços especiais tem participação na Europa e nos Estados Unidos, regiões que estão mostrando recuperação.”
Apesar dos esforços da Usiminas para conter o avanço dos custos, em uma conjuntura de menor demanda por seus produtos e dificuldade de repasses de preços, os negócios principais da companhia – aço e minério – não foram os protagonistas da melhora do resultado final no segundo trimestre. Tiveram peso relevante no lucro líquido trimestral o aumento dos ganhos com equivalência patrimonial, a venda de energia elétrica excedente e despesas financeiras líquidas quase 80% menores na comparação anual.
“Teremos um terceiro trimestre com volume de vendas equivalente ao segundo. Vamos aumentar as exportações e ter as vendas no mercado interno diminuídas”, disse Sérgio Leite, vice-presidente comercial da Usiminas, em teleconferência, ao comentar a estratégia neste momento de deterioração do quadro econômico, aumento dos estoques no setor automotivo e câmbio menos favorável.
Quanto aos preços, a projeção da Usiminas também é de manutenção no terceiro trimestre. “Não vemos nenhuma ação nem no sentido de aumento de preços nem de queda. É um cenário de estabilidade”, disse Leite. Analistas, entretanto, acreditam que os valores cobrados por siderúrgicas vão recuar até o fim do ano.
A siderúrgica mineira dedicava-se com mais empenho, desde o ano passado, a atender a demanda do mercado interno, que além de mais rentável, era favorecido pelo câmbio e por medidas governamentais. No segundo trimestre, entretanto, as exportações passaram de uma fatia de 9% para 15% nas vendas da companhia.
A Usiminas obteve lucro líquido atribuível a controladores de R$ 114,4 milhões entre abril e junho, contra prejuízo de R$ 59,5 milhões um ano antes. Frente ao primeiro trimestre, o lucro encolheu 38%. O lucro por ação preferencial no trimestre foi de R$ 0,32, comparado a prejuízo de R$ 0,22.
No trimestre, a margem bruta da siderúrgica ficou em 10,8%, com queda de 0,8 ponto percentual na comparação anual e de 5,7 pontos percentuais frente aos três primeiros meses do ano. Essa compressão deveu-se à queda de 4,3% na receita líquida, para R$ 3,11 bilhões, maior que a redução de 3,3% do custo dos produtos vendidos (CPV), que somou R$ 2,77 bilhões, ambos na comparação com o segundo trimestre de 2013.
Diante da forte melhora na venda de energia elétrica excedente, que somou R$ 89 milhões no trimestre – frente a R$ 75 milhões no primeiro trimestre e R$ 14,4 milhões no mesmo intervalo de 2013 -, a Usiminas registrou margem operacional de 6,5%. Na comparação anual, essa margem avançou 2,1 pontos percentuais, porém recuou 4,1 pontos percentuais frente ao primeiro trimestre.
A contribuição da linha financeira para o resultado veio principalmente da variação cambial, o que se refletiu em despesas financeiras líquidas de R$ 58,6 milhões, bem abaixo dos R$ 276,3 milhões registrados no segundo trimestre de 2013. No primeiro trimestre, o resultado financeiro havia sido negativo em R$ 18,1 milhões.
O resultado da equivalência patrimonial em coligadas e controladas mais que dobrou na comparação anual, para R$ 60,2 milhões, e ficou 36% acima dos R$ 44,3 milhões dos três primeiros meses do ano. Segundo a Usiminas, esse desempenho deve-se principalmente “à maior contribuição da Unigal e da MRS Logística no perãodo”.
O enfraquecimento do cenário para o setor siderúrgico fez com que a Usiminas vendesse 7,4% menos aço no segundo trimestre, em comparação anual. O volume total atingiu 1,46 milhão de toneladas. A produção recuou 8,6%, para 1,6 milhão de toneladas do insumo.