Índice do primeiro trimestre avança 5% em relação a ano anterior.
O crescimento do comércio global diminuiu no primeiro trimestre deste ano, mesmo com a retomada dos volumes conteinerizados, de acordo com novo relatório da Capgemini Consulting. Embora o comércio global tenha crescido 8,5% no último trimestre do ano passado, o ritmo de expansão caiu, com a taxa ficando em 5% no primeiro trimestre deste ano.
O vice-presidente da consultoria, Roy Lenders, disse que tal desempenho se deveu a fatores imprevisíveis. Foi uma surpresa para nós, porque tínhamos previsto inicialmente que o primeiro trimestre registraria crescimento semelhante ao do último trimestre de 2009, senão ligeiramente superior.
Segundo ele, aspectos como a nuvem de cinzas vulcânicas originada na Islândia – e que atrapalhou o comércio global – e a crise da dívida europeia também terão impacto no fechamento do segundo trimestre.
A Capgemini também emite um índice de fluxo de contêineres, com base nos débitos trimestrais dos cinco maiores portos globais de contêiner (Cingapura, Xangai, Shenzhen, Hong Kong e Busan). Segundo as estatísticas destes complexos, a movimentação combinada contraiu em 2% no primeiro trimestre deste ano em comparação com o trimestre anterior.
Não esperávamos ver uma queda real no índice, mas ele pode ser resultado de um efeito multiplicador do comércio lento, especialmente com as nações europeias, apesar de as movimentações de contêineres no primeiro trimestre terem sido 18% maiores do que o mesmo perãodo do ano anterior, afirma Lenders.
O relatório destaca a mudança do crescimento, passando dos países desenvolvidos para economias menos abastadas. Os países do chamado Bric viram o volume de comércio combinado aumentar em 12,8% no trimestre, enquanto o comércio europeu caiu 0,2% e o dos EUA aumentou 4,6%.
Lenders pontuou especialmente o desempenho recente do Brasil, que está mostrando forte crescimento na demanda doméstica. É de longe a maior economia latino-americana, mas o Brasil tem uma base de custo elevada, por isso agora busca a terceirização. Mesmo assim, o que está atraindo a atenção de todas as empresas multinacionais é o tamanho da sua base de consumidores, há demanda por todos os tipos de carga, conclui.