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Clippings - 17/10/14

Gol e Aerolíneas ampliam em 5% a oferta de voos

A ideia de transformar a rota Brasil-Buenos Aires quase numa ponte aérea tão movimentada quanto Rio-São Paulo não é nova para Paulo Kakinoff, presidente da Gol. O projeto para ampliar a oferta de voos por meio da parceria com a Aerolíneas Argentinas começou, diz o executivo, há 14 meses. Mas a assinatura do acordo, celebrada ontem em Buenos Aires, foi postergada. Segundo o dirigente brasileiro, era preciso deixar esfriar um pouco o mal-estar provocado pela humilhante derrota da seleção brasileira na Copa do Mundo de futebol Fifa, campeonato no qual a equipe argentina disputou a final.

“Esperamos pelo resultado mais favorável, agora, no super clássico das Américas”, disse Kakinoff em referência à vitória brasileira contra a Argentina, em Pequim, no último fim de semana. Foi em tom de brincadeira que o presidente da Gol referiu-se à histórica rivalidade futebolística entre os dois países.

É, no entanto, sério, o objetivo da Gol de ampliar presença no país que responde por 26% dos turistas que visitam o Brasil e destino de 34% dos brasileiros que viajam de avião.

O chamado “code share”, nome que se dá às parcerias entre companhias aéreas, ganhou reforço nesta quarta-feira, em um encontro entre Kakinoff e o executivo Mariano Recalde, presidente da Aerolíneas Argentinas, em Buenos Aires.

Com o acordo, a soma de voos das duas companhias aéreas para rotas entre o Brasil e a Argentina alcançará 180 frequências por semana, o que representa 5% de crescimento ou o quadro atual em épocas de pico, como na alta temporada do verão.

O acordo permitirá, também, voar, por exemplo, de São Paulo para Buenos Aires com uma companhia e voltar com outra. “Às vezes o passageiro que marcou a ida com Gol prefere voltar num horário que só a Aerolíneas oferece ou vice-versa”, disse o presidente da empresa argentina, Mariano Recalde.

Recalde recebeu Kakinoff na sede da Aerolíneas, um elegante edifício localizado entre Retiro, o coração do centro portenho, e o badalado Puerto Madero, famoso nos roteiros gastronômicos da capital argentina. Ali os dois executivos trocaram miniaturas de aeronaves das duas empresas.

Para o passageiro, o ato simbólico da troca dos aviões em miniatura significa, na prática, poder comprar pelos sites ou agentes de viagens que atendem às duas companhias passagens para qualquer destino que ambas oferecem nos dois países. A Gol já tem um mesmo sistema com as companhias aéreas americana Delta e francesa Air France.

O processo de inclusão de cidades no roteiro Brasil-Argentina começa esta semana por Rio, São Paulo e Buenos Aires. Mas será gradualmente estendido a todas as rotas das duas empresas até o final do ano.

Quando o processo for concluído, será possível, por exemplo, comprar uma passagem Rio-Bariloche direto no site da Gol. No início de 2015, a Aerolíneas também inaugurará o voo direto Buenos Aires-Salvador (BA).

O pagamento de passagens vendidas na Argentina para destinos brasileiros poderia ser uma preocupação quando se leva em conta o atual quadro econômico do país vizinho. A liberação de dólares para o pagamento de produtos brasileiros transformou-se, nos últimos meses, no principal problema para importadores argentinos.

Kakinoff lembra, no entanto, a vantagem do equilíbrio no fluxo de passageiros entre as duas empresas. “Esse é um caso raro de ’code share’ entre companhias de tamanhos compatíveis”, disse o presidente da Gol.

A extensão da parceria com a Aerolíneas Argentinas abre caminho também para a disputa de mercado com a aliança entre TAM e a chilena LAN, com forte presença no mercado argentino.

É possível também que o reforço na parceria resulte, para a Gol, em alguns privilégios no compartilhamento de espaços dominados hoje pela Aerolíneas, uma empresa estatal na qual o governo argentino injeta dinheiro mensalmente para cobrir prejuízos de uma operação deficitária.

O uso do Aeroparque, aeroporto mais central de Buenos Aires, é tema de constantes conflitos. Recentemente a LAN reclamou de ter de suspender rotas frequentes na Argentina por falta de autorização do governo de Cristina Kirchner.

Nem a crise no país vizinho e nem tampouco a cobrança de impostos extras para voos internacionais, a partir da Argentina, afetaram o movimento de passageiros argentinos para o Brasil e vice-versa, diz Kakinoff. “É um mercado estratégico”, diz.

O balanço da Gol relativo ao terceiro trimestre será divulgado em 11 de novembro. Somente então será conhecido o impacto que a volatilidade do dólar em perãodo pré-eleitoral provocou num setor em que 60% dos custos são em moeda americana.

Por enquanto, Kakinoff limita-se a comentar que o fluxo de passageiros de julho a setembro caiu em relação ao atípico trimestre da Copa do Mundo, mas cresceu 5% na comparação com o terceiro trimestre de 2013.

Kakinoff viajou terça-feira de São Paulo a Buenos Aires em um avião da Aerolíneas, para regressar ontem num voo da Gol. “Daqui para a frente a cor das aeronaves será a única diferença que o passageiro vai notar”, diz.