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Clippings - 12/09/13

Gol muda regra do programa de milhagens e prejudica receita do Smiles

A Gol anunciou ontem alterações nas regras de acúmulo de milhas e não dará mais pontos aos clientes que comprarem passagens promocionais. A mudança significa um corte de custos para a Gol, que registrou prejuízo de R$ 1,26 bilhão nos 12 meses encerrados em junho. A medida, no entanto, reduz a receita do programa de fidelidade Smiles, que abriu o capital em abril e se tornou uma empresa independente da Gol.

Com as novas regras, a Gol reduzirá entre 35% e 40% o volume de milhas distribuídos aos passageiros, de acordo com relatório do banco JP Morgan assinado pelos analistas Fernando Abdalla e Carlos Louro. Para o banco, a mudança não beneficia o Smiles. Haveráum impacto negativo nas receitas (do Smiles) , dizem os analistas. Nós acreditamos que essa mudança faça mais sentido para a Gol do que para o Smiles.

A nova regra, que entra em vigor para compras feitas a partir de 10 de outubro, calcula a milhagem acumulada de acordo com o preço pago pelos clientes e não pela distância percorrida, como atualmente (veja quadro ao lado). Ou seja: quem compraras tarifas mais caras recebe mais milhas. Os passageiros frequentes, que estão nas categorias Prata, Ouro ou Diamante do Smiles, continuam a receber milhas extras. O novo modelo recompensa quem voa mais e é cliente fiel da Gol e do Smiles, disse a Gol, em nota.

Custo. A parceria entre Gol e Smiles implica em transferências financeiras. Cada vez que um passageiro acumula milhas voando, a Gol paga uma taxa ao Smiles pela cofnpra de milhas-volume que representa cerca de 25% da receita do programa de fidelidade, que faturou RS 454 milhões no primeiro semestre.

A maior parte da receita do Smiles (cerca de 75%) vem de outros parceiros, principalmente os bancos, que remuneram o programa de fidelidade quando seus clientes trocam pontos do cartão de crédito por milhas. A perspectiva é que a Gol compre menos milhas Smiles com a nova regra, disse o analista do BB Investimentos Carlos Daltozo. O Smiles é uma fonte de receita para a Gol Quando o cliente troca milhas por passagens, o Smiles transfere dinheiro ao caixa da Gol – 92% das milhas são trocadas por passagens aéreas da companhia.

A mudança nos programas de fidelidade pode ser encarada como mais uma etapa da corrida das aéreas para cortar custos, disse André Castellini, sócio da Bain & Company. Há um ano e meio, as empresas adotaram postura mais conservadora para reconquistar rentabilidade. Após um perãodo de guerra de tarifas e alta nos custos, especialmente do combustível, as empresas tiveram prejuízos bilionários.

A situação se agravou neste ano com a alta do dólar. Cerca de 60% do custo das empicsas aéreas é atrelado à moeda americana, como combustível e leasing de aeronaves. A tendência é de alta no preço das passagens aéreas. A empresa reduz a concessão de milhas para cortar custos, mas tende a manter ou aumentar o preço (do bilhete), disse o professor de transporte aéreo da USP Jorge Leal.

Em comunicado, a Gol afirmou que o fim do acúmulo de milhas para passagens vendidas a preços promocionais visa a manter a atratividade das tarifas promocionais, que já aferecem beneficio no preços.

A milhagem não atrai, necessariamente, quem só compra pelo preço, segundo fontes de mercado. O viajante que busca promoções não se importa com milhas, disse Castellini. Para analistas, a crise no setor aéreo aumentou a disputa pelo viajante frequente, que viaja a negócios e costuma pagar mais pelas passagens. Com a tendência de alta nas tarifas, o cliente que viaja a lazer tende a voar menos. (O Estado de S. Paulo)