A entrada de investidores privados no Ceará pode levar a Petrobras a desativar seu terminal flutuante de regaseificação de GNL (FSRU, na sigla em inglês) do Porto de Pecém. O governo estadual busca interessados em construir e operar uma planta terrestre de regás que possa substituir o fornecimento atual, liberando o berço ocupado hoje pelo FSRU Golar Spirit.
Já foi assinado um memorando de entendimento com as empresas Kogas e Posco, ambas sul-coreanas, para estudar a viabilidade de um terminal equipado para 12 milhões de m³/dia de capacidade de regaseificação. O governo cearense ainda conversa com outros interessados no exterior.
O plano do governo é ampliar a capacidade de desembarque de combustíveis líquidos em Pecém e, para isso, precisa do espaço ocupado hoje pelo FSRU. A mudança chegou a ser discutida com a petroleira, que não demostrou interesse em fazer novos investimentos, levando, então, a busca de novos investidores, informaram fonte próximas à negociação.
A Petrobras tem plano de reduzir sua exposição em diversos segmentos, vendendo ativos ou encontrando novos sócios para as operações. No caso do GNL, a empresa, que tem outros dois terminais em Salvador e no Rio de Janeiro, cogita também o compartilhamento de capacidade.
Além de atrair capital novo para Pecém, o governo do estado também precisa tratar do fornecimento de gás para as térmicas Ceará e Fortaleza, instaladas na região, e que hoje são abastecidas pelo terminal da Petrobras, em contratos vigentes até 2023.
É nesse contexto que o governo espera atrair investimentos para um novo terminal, que crie a capacidade de importação de gás necessária para a Petrobras deixar o negócio de GNL em Pecém, sem colocar em risco o abastecimento das térmicas. A ideia é que a nova planta entre em operação em quatro anos, entre 2020 e 2021.
O terminal de GNL da Petrobras é fruto de um acordo com a Cearáportos, controladora de Pecém e empresa vinculada à Secretaria da Infraestrutura, o que dá ao governo cearense a prerrogativa das negociações sobre o uso da infraestrutura portuária.
De acordo com fontes, o governo também quer evitar desgastes com a Petrobras, que pede mais tempo para avaliar o projeto. Mas, no mercado, há uma avaliação de que a negociação nem seja concluída com a petroleira, caso os ativos de Pecém sejam vendidos.
O terminal de GNL de Pecém tem capacidade para regaseificar 7 milhões de m³/dia de gás e, apesar do acordo com a Kogas/Posco prever um terminal de 12 milhões de m³/dia, há interesse em uma planta até maior, de 14 milhões de m³/dia.
Um dos interesses do governo é atrair consumidores industriais de gás. Hoje, mesmo ignorando a demanda pontual das térmicas (que poderia criar um excedente para ser vendido para a indústria), o FSRU tem a limitação de ter que interromper a operação ao menos 16 dias por ano para manutenção, inviabilizando um contrato de fornecimento ininterrupto.
Um terminal em terra, por sua vez, pode ter sua capacidade divida em dois ou mais trens de regaseificação, garantindo pelo menos uma faixa de fornecimento constante. Para atrair consumidores, o governo conta ainda com a zona portuária de exportação (ZPE) de Pecém.
Além disso, ampliar a insfreaestrutura em Pecém também pode resolver o gargalo que é a falta de capacidade de tancagem de derivados no Porto de Fortaleza, onde não há mais espaço físico para ampliação. A construção de uma unidade em terra pode reduzir o custo com que os derivados chegam no Ceará – hoje, o estado é abastecido, em parte, por gasolina e diesel comprados de estados vizinhos.