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Clippings - 15/01/26

Governo estima alta de 5% na movimentação portuária e prevê 18 leilões de terminais em 2026

Em balanço das atividades do MPor em 2025, ministro Silvio Costa Filho afirmou que concessão do Tecon Santos 10 deverá ocorrer, no máximo, até abril

O Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) apresentou, nesta quarta-feira (14), em cerimônia em Brasília, o balanço de suas atividades em 2025. De acordo com os dados apresentados pelo ministro Silvio Costa Filho, no ano passado foram feitos pela pasta 21 leilões, com investimentos de R$ 11 bilhões, sendo oito certames do setor portuário, incluindo o do túnel Santos Guarujá e o do canal de acesso ao Porto de Paranaguá, no Paraná, que representam aportes de R$ 10,3 bilhões.

Na ocasião, Costa Filho anunciou que em 2026 estão previstos, pelo menos, mais 18 leilões portuários, o que vai elevar para mais de 40 certames o total de concessões no setor com investimentos de mais de R$ 40 bilhões desde 2023, ano de início da atual gestão. Ele destacou como mais significativo o do novo terminal de contêineres de Santos, o Tecon Santos 10, previsto para ser realizado até abril, com expectativa de aportes de R$ 6,4 bilhões nos 25 anos do contrato de concessão.

O ministro explicou que o detalhamento para a publicação do edital do leilão do Tecon Santos está em fase final, em tratativas entre representantes do MPor e da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), e prometeu divulgar na próxima semana o cronograma das ações. Segundo Costa Filho, as equipes estão trabalhando para que o edital seja publicado no início de março, mas não descartou a publicação ainda no mês de fevereiro. “A expectativa é de realizar o leilão, no máximo, até 30 de abril, na B3”, disse.

Costa Filho explicou ainda que o cronograma detalhado para a realização do leilão do Tecon Santos 10 incluirá um roadshow, programado para fevereiro, a fim de apresentar o projeto a potenciais interessados em investir no futuro terminal de contêineres de Santos. O objetivo é aumentar a concorrência e as ofertas pela concessão, cuja outorga mínima será fixada em R$ 500 milhões.

O primeiro lote de leilões portuários de 2026 será feito em 26 de fevereiro na Bolsa de Valores do Brasil, a B3, em São Paulo, incluindo quatro empreendimentos. Neste bloco, estão terminais em Macapá, no Amapá, Natal, no Rio Grande do Norte, Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, e Recife, em Pernambuco, com investimento totais previstos de R$ 229 milhões.

Hidrovias
O ministro anunciou ainda que será feita em 2026 a primeira concessão de hidrovia no Brasil, com o leilão da Hidrovia do Paraguai, na qual são esperados investimentos de mais de R$ 60 milhões. Ele adiantou que, nos próximos anos, serão concedidas as hidrovias do Rio Tocantins e a do Rio Madeira.

Em relação ao corredor hidroviário do Tocantins, ele destacou que o governo obteve importante vitória na Justiça com a autorização para a retirada de rochas do Pedral do Lourenço que dificultam a navegação e o transporte de cargas em períodos de seca, quando o nível do rio fica mais baixo. De acordo com Costa Filho, a expectativa é de que, depois das obras, a movimentação de mercadorias pela hidrovia passe de duas milhões de toneladas anuais para 20 milhões de toneladas.

Movimentação
No balanço, foi destacado também o aumento da movimentação de cargas em portos brasileiros que, segundo o ministro, devem encerrar 2025 com 1,347 bilhão de toneladas e alta de pelo menos 5%. Entre os destaques do setor, ele citou o crescimento de 300% no volume movimentado no Porto de Itajaí, que foi reincorporado pelo MPor no início do ano passado, e os incrementos de 20% no Porto de Rio Grande, no Rio Grande do Sul, de 15% no Porto de Paranaguá, no Paraná, e de 12% no Porto de Itaguaí, no estado do Rio de Janeiro, além dos 6% no Porto de Santos, em São Paulo, que é o maior do país.

Ainda sobre o setor portuário, Costa Filho informou que a média de investimentos públicos em portos públicos e autorizados atingiu R$ 3,1 bilhões, com crescimento de 100% em relação ao que fora investido durante a gestão anterior. Além disso, destacou a maior participação do setor privado no segmento com os leilões de oito portos nas regiões Sul, Sudeste e Nordeste. Os planos para 2026 anunciados pelo MPor incluem também leilões de quatro canais de acesso a portos, como destaque, segundo Costa Filho, para o de Santos, em São Paulo, e o de Itajaí, em Santa Catarina.

FMM
Costa Filho ressaltou ainda o aumento de liberação de recursos do Fundo da Marinha Mercante (FMM), que, segundo ele, em três anos, do início de 2023 ao fim de 2025, atingiu R$ 76,5 bilhões, com média anual de R$ 25,5 bilhões. Ele destacou como um avanço a mudança de perfil do Fundo que permitiu que os recursos, além da construção naval, sejam destinados a obras de melhoria da infraestrutura portuária.

Acordo Mercosul-UE
O ministro informou ainda que está sendo criado um grupo de trabalho, formado por técnicos do MPor, da Antaq e de outras pastas para analisar as consequências positivas para o transporte marítimo e a estrutura portuária da assinatura do acordo de livre comércio entre o Mercosul e União Europeia. O objetivo, explicou, será estudar as possibilidades de aumento de movimentação de cargas, identificar necessidades de investimentos e definir prioridades para eles.

Fonte: Revista Portos e Navios