A exploração da área de Libra no pré-sal na Bacia de Santos vai exigir investimentos de cerca de R$ 400 bilhões ao longo dos 35 anos do perãodo previsto para o contrato de Partilha. A informação foi dada ontem pelo diretor da Agência Nacional do Petróleo (ANP) Helder Queiroz, durante audiência pública no Rio que tratou sobre a minuta do edital e do contrato do leilão. A área de Libra será ofertada em 21 de outubro e tem reservas estimadas entre 8 bilhões e 12 bilhões de barris de petróleo.
Segundo José Formigli, diretor de Exploração & Produção da Petrobras, a estatal pode ir além dos 30% obrigatórios previstos no contrato de partilha que será adotado no leilão de Libra.
-O caixa da Petrobras está bastante sólido. A nossa financiabilidade está garantida.
O presidente da gigante francesa Total no Brasil, Denis Palluat, se mostrou preocupado com a forte ingerência da PPSA, a estatal que participará da gestão no consórcio, mas que não assumirá riscos nem fará investimentos.
– A PPSA tem muito poder no consórcio sem ser investidor. É a lei, respeitamos, mas é um ponto novo. Temos que avaliar os riscos que isso atrai para o consórcio.
Ontem, a ANP assinou ainda os primeiros 24 contratos de concessão, de um total de 142, referentes à 11ª Rodada de Licitações, realizada em maio último. Juntos, esses contratos somam bônus de assinatura de cerca de R$ 1 bilhão. Os contratos foram assinados por seis empresas, entre as quais a Petrobras e as estrangeiras BP, BG e Total. A OGX, do grupo do empresário Eike Batista, que arrematou 13 blocos, dos quais três em parceria, ainda não pagou o bônus de assinatura, de R$ 376 milhões. A diretora geral da Agência nacional do Petróleo (ANP), Magda Chambriard, disse não estar preocupada com o pequeno número de empresas que assinaram ontem os contratos. Segundo a executiva, as empresas têm até o próximo dia 30 para pagar o bônus de assinatura e assinar os contratos com a ANP.
A Petrobras assinou 13 dos 34 contratos dos blocos arrematados. Segundo Formigli, o restante não foi assinado pois seus parceiros ainda não atenderam a todas as exigências da ANP.
Magda Chambriard informou também que em breve o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) deverá definir o número de blocos que serão oferecidos para exploração de gás natural em terra na 12ª Rodada de Licitações, prevista para novembro. Até o momento, estão previstos 240 blocos em sete bacias sedimentares. Magda explicou que estão sendo avaliadas ainda algumas questões ambientais em um ou dois blocos que poderão ser retirados do leilão. As bacias onde serão ofertados blocos são Recôncavo, Sergipe/Alagoas, Paraná, Parecis, São Francisco, Acre e Parnaíba. O objetivo da ANP é a exploração de gás natural e também do shale gas (gás não convencional).