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Clippings - 05/03/10

Governo quer manter apenas fontes renováveis de energia

Plano de investimentos prioriza fontes renováveis.

Apenas fontes renováveis serão mantidas pelo governo no planejamento de geração de energia elétrica para a próxima década, afirmou o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, ao participar ontem do seminário O setor energético e a transição para a economia de baixo carbono, promovido pelo Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Fun-bio). Tolmasquim adiantou que a versão preliminar do Plano Decenal de Energia de 2010 ainda está sendo discutida. O documento final pode excluir completamente as térmicas a óleo das licitações e deixar o foco na geração por energia eólica, solar, biomassa e pequenas centrais hidrelétricas (PCH).

Daqui em diante o planejamento vai tentar maximizar a entrada de renováveis. Mas vai depender também do que vamos conseguir de licença para as hídricas. Se conseguirmos licença para tudo o que planejamos, provavelmente vamos ficar só com hidrelétricas e fontes alternativas, antecipou.

O executivo adiantou que a EPE e o Ministério de Minas e Energia (MME) estão analisando se é possível dar prioridade às fontes de energias renováveis. Já sabemos que é possí; vel não ter térmicas a óleo. É claro que isso vai depender do que vamos conseguir em energia hídrica, se vamos conseguir licenças ambientais suficientes para não incluirmos as outras fontes. De acordo com ele, até o final do primeiro semestre o Plano Decenal deve entrar em audiência pública e, em seguida, publicado.

O executivo afirmou no seminário que a área de distribuição de energia é a principal alternativa para o aumento de investimentos no setor. Para ele, não há aspecto negativo ou possibilidade de formação de um monopólio na área com as fusões e aquisições.

SUSTENTABIIIDADE. Maurício Tolmasquim destacou que a maior parte da energia elétrica utilizada é de origem hidrelétrica, enquanto outros países ainda usam carvão. Segundo ele, cerca de 12,7% da energia elétrica do mundo tem origem renovável. Já no brasil, as fontes renováveis são reponsáveis por 45,9% da geração.

O presidente da consultoria DZ Negócios com Energia e ex-diretor da Agência Nacional do Petróleo (ANP), David Zylbersztajn, afirmou que o Brasil não tem historicamente políticas públicas voltadas para a sustentabilidade. Segundo ele, os Estados Unidos e a China, maiores poluidores do mundo, vêm trabalhando nesta área nos últimos anos.

Para demonstrar a diferença no empenho pelo desenvolvimento de energias renováveis, o consultor disse que os Estados Unidos investem US$ 1 bilhão na área, enquanto os recursos destinados pelo Brasil não passam de US$ 95 milhões.

BELO MONTE. O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, disse ontem que o novo preço-teto para o leilão da usina de Belo Monte foi calculado em R$ 81 por megawatt-hora (MWH), o que representa um acréscimo de 19% em relação ao originalmente calculado em fevereiro pela EPE, de R$ 68 por MWH. Segundo o ministro, também o custo total da obra foi recalculado de R$ 16 bilhões para pouco menos de R$ 20 bilhões.

O valor da obra ficou em R$ 19,6 bilhões, afirmou. Lobão disse que o governo não cedeu à pressão de empresários ao aumentar os valores. Não cedemos. Só consideramos os custos reais da obra, disse.