
O Grupo GranEnergy adquiriu a participação de 50% da holandesa Royal IHC na GranIHC. Com isso, passa a ser o único detentor da empresa, que, agora, se chama GranService. As perspectiva pós-aquisição são otimistas. A projeção é de crescimento da receita líquida de 30% neste ano, chegando a cerca de R$ 500 milhões até dezembro. O mesmo patamar de alta deve ser sustentado nos próximos cinco anos, segundo o CEO da GranEnergy, Miguel Grandin.
A estimativa é ainda dobrar o faturamento até 2028. Boa parte desse resultado virá de demandas já definidas, como a projeção de contratação de dezenas de novos sistemas de FPSO no Brasil. Além disso, o cenário é favorecido pelos investimentos das empresas independentes, que avançam sobre campos maduros adquiridos da Petrobras. E há também uma demanda reprimida nos anos de baixa da indústria de óleo e gás e pandemia, que começa a ser suprida agora.
“Com a mudança do mercado, a partir da venda de ativos maduros, houve uma transformação também na forma de se contratar. As empresas independentes estão focadas em eficiência, em gestões mais enxutas e, por isso, querem ter poucos parceiros, que concentrem atividades, de forma integrada, como faz a GranService”, afirmou Grandin.
O desafio da indústria, em sua opinião, é sustentar o crescimento de forma contínua e por um prazo mais longo, o que depende da estabilidade econômica do país. “Juros a 14% não ajudam o empresário a investir. Esperamos uma redução no curto prazo. O controle da inflação também é fundamental”, acrescentou o empresário.
Já o CEO da GranService, Rodrigo Dantas, ressalta a alta demanda por mão-de-obra qualificada para uma atividade intensiva em pessoas como mais um desafio a ser enfrentado pelo segmento de prestação de serviço para companhias petrolíferas. “Não falta mão de obra, mas o mercado está bastante justo. Para funções específicas começam a surgir gargalos”, destacou.
Criada em 2017, a GranIHC, atual Granservice, tinha como foco, inicialmente, a prestação de serviços de integridade, manutenção e reparo para o mercado de óleo e gás. Nos anos seguintes, sua atuação foi estendida para outras áreas, como engenharia, instalação, comissionamento e gestão da cadeia de suprimentos.
De uma parceria da GranService com a Prumo Logística foi criada a Dome, que, no Porto do Açu, no Norte Fluminense, presta serviços como reparo naval e operação portuária. Já a afiliada da GranServices, GranEnergia, afreta e opera embarcações de segurança e manutenção (UMS) e fornece serviços de logística para operadores offshore de O&G.
Sobre uma possível adoção de uma política de conteúdo local pelo atual governo federal, Grandin afirma que, o que se quer no setor é priorizar a eficiência e a produtividade, independentemente de decisões de governo. “O importante é que as políticas sejam de longo prazo e bem estruturadas”, afirmou.
Fonte: Revista Portos e Navios