A Força Sindical ameaçou iniciar uma paralisação de trabalhadores portuários como forma de pressão contra o governo na queda de braço em torno da MP dos Portos. “E não será por um dia não. Será uma greve por tempo indeterminado, porque o governo tinha um acordo conosco e não cumpriu”, afirmou o presidente da entidade, deputado Paulo Pereira da Silva (PT-SP), ontem, ao sair de reunião com o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho.
Trata-se de um movimento isolado da Força Sindical. Representantes das demais centrais que participaram da reunião ontem com Carvalho — Central Única dos Trabalhadores (CUT), União Geral dos Trabalhadores (UGT), Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e Nova Central Sindical — declararam apoio ao Palácio do Planalto em um dia crítico para a tramitação da medida provisória.
Na interpretação da Força, o governo descumpriu o acordo pelo qual a MP obrigaria empresas que operam portos privados a contratarem os trabalhadores que hoje estão cadastrados nos chamados Órgãos Gestores de Mão de Obra (Ogmos), detentores de um monopólio na contratação de empregados pelos portos públicos. Em uma amostra da disposição da entidade sindical, estivadores dos terminais de Santos, Rio de Janeiro e Paranaguá (PR) entraram em greve no início da tarde de ontem.
As demais centrais discordam da greve. “O texto que nós discutimos com o relator, na nossa avaliação, contempla o interesse dos trabalhadores. Agora, que fique claro isso: o objetivo básico que nós discutimos em relação à questão dos portos é que a contratação seja efetuada com o sindicato dos trabalhadores”, ponderou o presidente nacional da CUT, Vagner Freitas.