Em busca de reajuste salarial e melhor escala, 350 trabalhadores do TVV paralisam as atividades por tempo indeterminado
Cerca de 350 trabalhadores do Terminal Portuário de Vila Velha (TVV) decidiram paralisar, a partir de hoje e por tempo indeterminado, as suas atividades, que envolvem carga e descarga de contêineres e conferência de mercadorias, além do setor administrativo. Como a categoria já havia feito, desde agosto, quatro paralisações menores, o Espírito Santo já sentiu os efeitos do movimento, quando navios deixaram de atracar no Terminal de Vila Velha para embarcar e desembarcar mercadorias. A superintendente do Centro Brasileiro dos Exportadores de Rochas Ornamentais (CentroRochas), Olívia Tirello, disse que somente o setor de rochas deverá ter prejuízo de cerca de R$ 600 mil por semana com a paralisação. “As cargas que vem de Rio Novo, Mimoso do Sul, Cachoeiro, Castelo, Atílio Vivacqua, além de Vargem Alta e Itapemirim, estão sendo enviadas para embarcar no Rio de Janeiro”, explicou. Segundo ela, os exportadores do Norte do Estado não têm como mandar a mercadoria para o Rio de Janeiro e, por isso, podem arcar com prejuízos ainda maiores. “É um prejuízo muito grande. São embarcados cerca de 500 contêineres por navio. Se o contêiner não embarca, temos de pagar a armazenagem dele no porto, no valor de cerca de R$ 1.000, que é cobrado por dia”, disse Olívia.
REIVINDICAÇÕES
Segundo o presidente do Sindicato Unificado da Orla Portuária (Suport-ES), Ernani Pereira Pinto, a categoria reivindica a reposição salarial de 9,98%, referente amarço (INPC-Dieese), enquanto a empresa oferece 6%. “Os trabalhadores estão insatisfeitos com a alteração da escala de trabalho, feita de forma unilateral. A escala de turno fixo trouxe até 40% de redução na remuneração deles, que ainda não podem flexibilizar os horários, interferindo na vida social e familiar do empregado”, disse Ernani. O TVV, que é administrado pela Log-In, informou, por nota, que a empresa solicitou a intermediação do Ministério do Trabalho, já tendo ocorrido duas reuniões, e as negociações prosseguem. “O terminal está tomando todas as providências necessárias para garantir a continuidade das operações e reduzir impactos aos clientes”, disse.
“Se o contêiner não embarca, temos de pagar a armazenagem dele, de R$ 1.000 ao dia”
Olívia Tirello, superintendente do CentroRochas
ENTENDA
Portuários pedem reajuste de 9,98%
Impacto da paralisação
> COM A GREVE dos portuários, q ue tem início hoje, a operação de carga e descarga de contêineres e a conferência de mercadorias ficam interrompidas por tempo indeterminado, além do setor administrativo.
> O CENTRO BRASILEIRO dos Exportadores de Rochas Ornamentais (CentroRochas) informou que, somente o setor de rochas, deverá ter prejuízo de cerca de R$ 600 mil por semana com a paralisação.
> AS CARGAS que vêm da região Sul do Estado serão enviadas para embarcar no Rio de Janeiro.
> JÁ OS EXPORTADORES do Norte do Estado não têm como mandar a mercadoria para o Rio de Janeiro e, por isso, vão arcar com prejuízo que pode ser ainda maior.
> SEGUNDO O CENTROROCHAS, são embarcados cerca de 500 contêineres por navio. Se o contêiner não embarca, o responsável tem de pagar a armazenagem dele no porto, no valor de cerca de R$ 1.000, que é cobrado por dia. Reivindicações da categoria
> OS PORTUÁRIOS pedem reajuste salarial de 9,98% referente a março (INPC-Dieese), enquanto a empresa oferece 6%, segundo informações do Suport-ES.
> OS TRABALHADORES também solicitam uma escala em turno ininterrupto de revezamento de oito horas com uma hora de intrajornada, com três turmas, constituídas por seis equipes e, havendo necessidade, com a complementação por meio de trabalhadores portuários avulsos.
> ALÉM DO PAGAMENTO de adicional de turno de 15%, bem como tíquete alimentação de R$ 600.
Fonte: CentroRochas e Suport-ES.